Muita coisa muda se PDR tiver responsabilidades políticas

O líder do Partido Democrático Republicano (PDR), Marinho e Pinto, assegurou, hoje, em Coimbra, que se, nas eleições de domingo, o povo der responsabilidades políticas ao seu partido “muita coisa vai mudar” em Portugal.

"Se o povo português nos der responsabilidades políticas em 04 de outubro, muita coisa vai mudar neste país e, se calhar, muitas das pessoas que andam aí com um ar virtuoso, vão parar à cadeia", disse Marinho e Pinto, que falava aos jornalistas, hoje, em Coimbra, no Mercado D. Pedro V, depois de ter participado numa ação de campanha do PDR.

Essas pessoas "vão parar à cadeia porque não passam de verdadeiros corruptos que enriqueceram roubando o Estado, roubando a população portuguesa", sustentou.

"Só para os gangsters dos bancos", o povo português "entregou mais de 15 mil milhões de euros" para evitar que falissem, sublinhou Marinho e Pinto.

Para "o banco do cavaquismo, o banco dos amigos do professor Cavaco Silva — o BPN [Banco Português de Negócios] — foram cerca de sete mil milhões de euros" e "para o BES [Banco Espírito Santo] já vai em quatro mil milhões de euros", exemplificou.

"Há que acabar com isto, há que restituir aos portugueses a democracia, há que respeitar os portugueses", afirmou o líder do PDR, que encabeça a lista de candidatos a deputado do seu partido pelo círculo de Coimbra.

Sobre o facto de o Presidente da República (PR) ter anunciado que não irá participar, na segunda-feira, nas comemorações do 105.º aniversário da implantação da República, Marinho e Pinto considera que Cavaco Silva "parece que, finalmente, teve a coragem, teve a honestidade, de dizer o que pensa", pois ele "nunca foi verdadeiramente ao 5 de Outubro".

O chefe de Estado "foi lá [às comemorações do 5 de outubro] fazer figura de corpo presente, mas nunca foi lá verdadeiramente", porque "ele não tem convicções genuinamente republicanas".

Quando um PR faz o que fez Cavaco Silva — "ele enganou o povo português, dizendo-lhe para comprar ações do BES" quando este banco "já estava a desfazer-se" — pode "ser tudo, pode ser presidente de tudo, menos de uma República digna desse nome", defendeu o líder do PDR.

Cavaco Silva "devia ter vergonha, devia ter-se demitido quando enganou os portugueses, quando levou muitos portugueses a meterem as suas poupanças num banco falido, um banco que tinha sido assaltado por dentro, pelos seus próprios administradores", afirmou Marinho e Pinto.

Depois da visita ao mercado, o líder, candidatos e apoiantes do PRD fizeram uma arruada pela Baixa de Coimbra (onde Marinho e Pinto trocou um abraço com Manuel Machado, presidente da Câmara de Coimbra, eleito pelo PS) e na Praça da República, na alta da cidade.

Lusa/SOL