De acordo com o governante, o investimento seria essencialmente privado e o investimento público atingiria um valor máximo de 600 milhões de euros. Um projeto que, no entender do mesmo, já era considerado em Bruxelas como prioritário e que caberia à União Europeia apreciar a sua qualidade para atribuir os fundos comunitários.
No entanto, a ideia acabou por ser abandonada e foram gastos em média 2,7 milhões de euros anuais só em estudos. Quando a construção do novo aeroporto na Ota já era tida como certa, a polémica em torno da localização instalou-se, com os partidos da direita a questionar se a Ota seria a melhor solução técnica e económica e a esquerda preocupada com o financiamento. O abate de cerca de cinco mil sobreiros, a movimentação de 50 milhões de metros cúbicos de terra, o desvio da Ribeira do Alvarinho e a necessidade de expropriar 1.270 hectares, foram algumas falhas apontadas a esta localização.
O deserto de Lino
Seguiram-se outras alternativas após estudos realizados por vários associações. Por um lado, surgiu a alternativa do Campo de Tiro de Alcochete. Uma ideia avançada pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), entidade que promoveu a realização do estudo que apresentou esta localização como alternativa à Ota.
Uma solução que não agradou a Mário Lino e acabou por ficar famoso com a sua expressão do «jamais». O governante considerou que a margem Sul era um «deserto», pelo que «jamais» poderia receber o novo aeroporto. Para justificar o «nunca» do aeroporto na margem sul, Lino respondeu à ideia defendida pelo PSD: «o que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar».
No entender do ex-ministro, o novo aeroporto devia ser na Ota porque correspondia à estratégia de desenvolvimento que o Governo entende que devia ser seguida, «onde está 40% da população, onde estão as vilas, aldeias, indústrias e comércio, hotéis e turismo».
Por outro, Montijo com base num estudo realizado pela Associação do Comércio do Porto. Na altura. o presidente Rui Moreira considerava que «o investimento numa pista e um barracão no Montijo ia ser quase nulo e várias vezes inferior ao que se está a gastar em Beja».
Avanços e recuos
Moreira acrescentava ainda que «a grande vantagem do Montijo, relativamente a outras opções, são a economia de recursos e, sobretudo, a possibilidade de, em poucos meses, o aeroporto complementar à Portela ser uma realidade, pois, nem sequer vai ser necessário efetuar expropriações».
Depois de muito impasse, a solução considerada para avançar foi Alcochete e acabou por ser anunciada pelo próprio José Sócrates. As conclusões do relatório ambiental final sobre o novo aeroporto chegara a favoráveis à construção da infraestrutura.
Nenhuma destas alternativas teve um fim à vista e ficou limitado ao alargamento do aeroporto da Portela. A construção do terminal 2 e surgiu no plano de expansão do aeroporto de Lisboa, orçado em 380 milhões de euros, que pretendia aumentar a capacidade da pista de 36 para 40 movimentos por hora. Tinha como objetivo os voos domésticos e os low cost.
Já no Governo de Passos Coelho a necessidade de alargar trouxe a opção Montijo. Em julho passado, Pires de Lima admitiu a possibilidade de a base militar do Montijo ser uma opção complementar ao aeroporto da Portela. O ex-ministro revelou, na altura, que «a opção tendencial que estamos ainda a qualificar e a estudar é o desenvolvimento da Portela e o aproveitamento da base do Montijo». Pires de Lima disse ainda que esta opção estava a ser estudada em conjunto com a ANA e as autarquias envolvidas.