Aprova-me o orçamento e eu aprovo-te acolher refugiados

“António Costa engana os refugiados que virão criando expectativas falsas de emprego. Isto é não ter respeito pelos próprios refugiados…”

Quem conhece o meu percurso político sabe que sempre defendi os direitos dos imigrantes, fosse numa autarquia ou junto da diáspora portuguesa. Quem emigra para um país estrangeiro tem de ser tratado como um ser humano com todos os direitos básico que a nossa civilização ocidental defende.

O problema é que todos os países têm limites de sustentabilidade e o nosso país além de ter mais de 1 milhão de desempregados, ainda têm uma grande parte da população a viver abaixo do limiar de pobreza.

O que António Costa disse sexta-feira em Berlim foi que Portugal está disposto a resolver o problema em relação ao elevado número de refugiados sediados na Alemanha e que estão a constituir um grave problema politico a Merkel…

A Chanceler Alemã está a perder uma enorme popularidade devido a continuar a defender a permanência dos refugiados na Alemanha. Hoje, na conferência de imprensa em Berlim, Costa e Merkel só abordaram dois temas; refugiados e o orçamento português.

Os jornalistas alemães não fizeram perguntas sobre o orçamento português e os jornalistas portugueses não fizeram perguntas sobre os refugiados. Mas quem vê de fora esta conferência de imprensa fica com a impressão que Costa precisa de Merkel para aprovar-lhe o orçamento e Merkel precisa de Costa para receber refugiados.

Acho preocupante que o povo Alemão comece a ver em António Costa e em Portugal a possibilidade de ser um bom anfitrião de refugiados e se calhar daqueles refugiados que pior se integram na Alemanha… Merkel deve achar que Portugal deverá ser tão bom anfitrião quanto a Grécia. Na minha perspetiva terá de haver limites para o número de refugiados a receber se quisermos evitar os problemas com que os outros países europeus se estão a deparar.

António Costa diz em Berlim que os refugiados poderão trabalhar na agricultura, mas em Portugal, no mesmo dia, toma uma medida que complica a vida aos agricultores fazendo subir os impostos sobre as máquinas agrícolas, entre outros bens necessários à prática da agricultura…

Antes do 1º Ministro ter a solução milagrosa e irreal para os refugiados que ainda não estão cá porque não o tem para mais de um milhão de portugueses e imigrantes que vivem na pobreza?

A incoerência e o show off socrático começa a vir ao de cima lentamente… faz-me lembrar ainda há bem pouco tempo o atual ministro da saúde com um espírito socrático de marketing híper tecnológico a apresentar o portal das urgências dos hospitais que como por magia irá acabar com os problemas do tempo de espera dos doentes nos hospitais…o
perlimpimpim socialista da lâmpada de Aladino futurista no seu melhor…

Os refugiados são bem-vindos, a meu ver a Portugal, e até úteis para o seu desenvolvimento, mas é preciso António Costa esclarecer os limites do que é razoável para garantirmos continuarmos a viver numa sociedade democrática, livre e segura.

Esses limites de capacidade de receção dos refugiados é um segredo bem guardado mas que para esclarecimento da opinião pública deveria ser posto à vista de todos.

A falta de uma estratégia que evite a entrada em massa de refugiados, perante as fronteiras escancaradas, de milhares de refugiados vindos da Suécia, da Alemanha e doutros países para este lado da Europa poderá colocar aos portugueses um problema bem maior do que imaginam.

Temos que nos preocupar com os que estão em Portugal e que estão atualmente a sofrer.
António Costa engana os refugiados que virão criando expectativas falsas de emprego. Isto é não ter respeito pelos próprios refugiados…