Os indícios de movimentações ligadas ao terrorismo intensificaram-se no último ano em Portugal. Esta é uma das conclusões do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). O Sistema de Segurança Interna reconhece o «agravamento de alguns fatores de risco» não só a nível nacional mas também internacional. O documento, que reúne os dados da atividade do ano passado de todas as polícias, militares e serviços de informação, salienta ainda assim que os indícios detetados em território nacional não estão diretamente relacionados com a execução de atentados no país mas com o apoio a estruturas terroristas que operam no exterior.
O balanço foi avançado, sexta-feira, pelo DN e pelo Expresso. O RASI é entregue todos os anos até 31 de março no Parlamento. Ontem, ao fecho desta edição, ainda não tinha sido disponibilizado nem pelo Governo nem pela Assembleia da República.
As considerações do RASI dizem respeito à célula de marroquinos detetada em Aveiro em 2016. Recorde-se que, já este ano, um homem que faria a recruta de jihadistas de nacionalidade marroquina a partir de Portugal foi extraditado para o país. O suspeito, de 63 anos e com ligações ao Estado Islâmico, está em prisão preventiva. «Apesar de, até ao momento, se avaliar esta situação como um exemplo isolado e pontual, não existindo indícios que apontem para a existência de estruturas idênticas a operar de modo permanente em Portugal, considera-se que a emergência de situações similares a esta, poderá contribuir para uma alteração do padrão da ameaça terrorista que impende sobre o nosso país», diz o relatório, citado pelo semanário. Outra preocupação é o grupo de cidadãos portugueses já sinalizados nas fileiras do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Mantêm-se um «fator de preocupação acrescida, sobretudo, pelos riscos associados ao seu potencial regresso a Portugal ou a outro países europeu».
Esta sexta-feira, numa cerimónia em Setúbal, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, sublinhou ser necessária uma «grande articulação entre as forças de segurança» para fazer frente à ameaça terrorista na Europa. A governante disse, porém, que não existe razão para «ficarmos preocupados com a ideia de que há hoje uma ameaça superior», ressalvando que «obviamente não se pode excluir que existem riscos».
Menos crime, mais droga
Segundo o RASI, o ano de 2016 registou a menor criminalidade dos últimos 15 anos, com a violência doméstica, os crimes de extorsão e o tráfico de droga a destoarem da fotografia ao apresentarem uma tendência de subida. Burlas informáticas e frutos de oportunidade, como deixar o telemóvel numa mesa do café e perder-lhe o rasto, estão também entre as participações que têm aumentado.
A subida mais significativa verifica-se, contudo, nos estupefacientes. Segundo o Expresso, as apreensões de ecstasy e haxixe dispararam 200%. O Sistema de Segurança Interna está também preocupado com as drogas sintéticas compradas na chamada ‘darknet’, sites encriptados usados por grupos criminosos.