Peritos estavam a trabalhar sem acesso à lista oficial de mortes

Até ontem, os peritos que estão a analisar as causas do incêndio, a actuação das autoridades e as consequências do fogo de Pedrógão não tinham conhecimento da lista oficial de vítimas. 

A comissão técnica, presidida por João Guerreiro e aprovada pelo parlamento que, no máximo, dentro de três meses terá de entregar um relatório com conclusões das ocorrências do incêndio, preparava-se para ir para o terreno falar com familiares. Já a equipa coordenada por Domingos Xavier Viegas, que está desde o fim de semana da tragédia a fazer um estudo pedido pelo Ministério da Administração Interna, já esteve em Pedrógão e tem estado a guiar-se pela informação veiculada na comunicação social e por locais.

Contactados pelo i, ambos confirmaram que a história das vítimas será um dos pontos analisados. “Vamos conversando com as pessoas, não temos uma lista. São concelhos pequenos, são núcleos pequenos e vamos conversando com as pessoas. Não temos dados nem lista”, explicou ao i o presidente da comissão João Guerreiro, ainda antes da lista oficial ser pública, adiantando que os peritos têm várias conversas agendadas com os familiares das vítimas na próxima semana. 

Também Domingos Xavier disse ao i que contavam vir a ter acesso à lista até ao final dos trabalhos, que está previsto concluírem em outubro – altura em que também deve cessar a comissão independente. Com base nas entrevistas já feitas, a equipa do Centro de Estudo sobre Incêndios Florestais já tinha admitido a existência da 65.º vítima, Alzira Costa, que foi atropelada ao fugir do incêndio. “Foi incluída no nosso rol de vítimas”, disse Domingos Xavier Viegas, que avançou ainda não terem indícios da existência de mais vítimas. 

Apesar de terem começado sem esta informação, João Guerreiro disse ao i  que “é ponto de honra” entregar um relatório no parlamento dentro do prazo previsto, que termina em meados de outubro. 

A comissão reuniu quase a totalidade dos peritos, pela primeira vez, no passado dia 18 e vai voltar a reunir-se na próxima semana, incluindo o professor do MIT. No entretanto, os peritos têm vindo a reunir-se de “forma parcelar” e todos têm “estado em contacto” de forma a partilharem os dados e a informação que vai sendo recolhida. A lei prevê uma remuneração atribuída a estes peritos equiparada à dos dirigentes superiores da função pública, encargos que serão suportados pela Assembleia da República. A despesa mensal ronda os 45 mil euros. Ana Petronilho e Marta F. Reis