Armando Vara é ouvido hoje no Parlamento

Ex-ministro vai ser hoje ouvido na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Algemas são retiradas dentro da carrinha celular.

Armando Vara vai entrar hoje no Parlamento sem algemas e sem aparato para ser ouvido no âmbito da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos.

Ao i, o presidente da comissão, Luís Leite Ramos, contou que cabe aos serviços de segurança preparar a chegada do antigo administrador do banco do Estado ao Parlamento, não estando prevista a entrada de Vara algemado nas instalações do Palácio de São Bento. As algemas serão retiradas dentro da carrinha celular. “Os serviços estão a preparar uma chegada sem aparato e da forma mais discreta possível”, contou o deputado social-democrata.

Até porque “seria a primeira vez que alguém algemado entraria no Parlamento”, recordou.

A entrada do banqueiro está preparada para decorrer pela porta das traseiras – a mesma por onde entrou Ricardo Salgado – e a audição vai ser realizada na sala 6, a maior e a que “tem mais espaço para a comunicação social”, explicou ainda ao i Luís Leite Ramos.

Armando Vara, antigo ministro e um dos braços-direitos de José Sócrates, está preso em Évora a cumprir uma pena de cinco anos, depois de ter sido condenado por tráfico de influências no âmbito do processo Face Oculta.

O ex-administrador da CGD chegou a pedir para não comparecer na comissão de inquérito alegando que “há cinco meses” (desde que foi preso) que não tinha acesso “a qualquer tipo de informação”. Em seu entender, sem informação ficaria “inviabilizada a necessária preparação sobre os assuntos que possam estar em causa” na inquirição.

O pedido foi chumbado pelos deputados da comissão de inquérito e Luís Leite Ramos lembrou que Armando Vara pode remeter-se ao silêncio, invocando o segredo de justiça – solução adotada por Joaquim Barroca.

Já o deputado do PSD Duarte Pacheco frisou a importância da audição do antigo administrador da CGD nesta comissão. “Precisamos sobretudo da memória” de Armando Vara e “espero que a sua memória esteja melhor do que a de outras pessoas que já estiveram nesta comissão”, avisou Duarte Pacheco.

Mas os advogados do ex-ministro garantem que Armando Vara já prestou “todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados sobre a sua atuação enquanto administrador da CGD e sobre todos os dossiês em que esteve envolvido”.

Armando Vara será, assim, o segundo bancário preso a ir ao Parlamento. O primeiro foi Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, que há dez anos esteve na comissão de inquérito do BPN. Nessa altura, Oliveira e Costa encontrava-se em prisão preventiva.

 

Outros processos

Recorde-se que, além de ter sido condenado no âmbito do caso Face Oculta, Armando Vara é também um dos arguidos da Operação Marquês, onde consta também o nome do antigo primeiro-ministro José Sócrates, que vai responder a esta comissão por escrito. No processo Operação Marquês, Armando Vara responde por cinco crimes: dois por branqueamento de capitais, um de corrupção passiva de titular de cargo político e dois de fraude fiscal qualificada.

*Com Daniela Soares Ferreira