Aguiar-Branco acredita que “se o 25 de Abril falhasse o país teria um amanhã pior”

Na sua intervenção, o Presidente da Assembleia da República relembrou e mencionou aqueles que morreram no dia da revolução dos cravos.

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, evocou, no seu discurso, na sessão solene, dos 50 Anos do 25 de Abril, a ação reconciliadora de Mário Soares, defendeu que o populismo apenas se combate com soluções, e disse que não se pode culpar os portugueses pelas escolhas que fazem nas urnas.

O governante, meio século depois da revolução de Abril, defende que “o país quer mais, exige mais saúde, mais educação, mais justiça, mais habitação, mais desenvolvimento”.

“É essa pesada herança que explica tantos e tantos portugueses desiludidos, tantos e tantos portugueses zangados, tanta e tanta polarização, tanta radicalização e tanto populismo. Devemos culpar os portugueses por isso? Devemos culpá-los pelas suas escolhas nas urnas?”, questionou.

Aguiar-Branco admitiu ter “genuínas dúvidas”, de que a resposta aos portugueses zangados, “seja mais ideologia, mais guerras culturais, mais partidarização, mais tática política ou mais jogos parlamentares”.

“A desilusão de uns resolve-se com boa governação. A polarização de outros resolve-se com soluções. Com ações concretas e não com palavras e discursos mais ou menos inflamados. E notem a expressão que propositadamente utilizei. Resolver. Não combater”, precisou.

O presidente da Assembleia da República acrescentou que “a casa da democracia” não pode ser encarada como um “castelo fechado em si mesmo, protegido atrás de grades que, por conforto ou segurança, simbolicamente fomos deixando ficar”.

“A casa da democracia não pode servir para defender o regime. Isso era a outra, a dita Assembleia Nacional. E muito menos a casa da democracia serve para defender a democracia. Serve sim para construir a democracia. Todos os dias, com mais políticas que política, com mais coragem que jogos ou preocupações com popularidade”, contrapôs.

O governante evocou o antigo Presidente da República, fundador e primeiro líder do Partido Socialista (PS), Mário Soares, relembrando que o mesmo foi “a personificação maior de um espírito de bom senso e sabedoria que hoje, em política, se chama de moderação”.

O homem que combateu o PCP nas ruas foi o mesmo que não permitiu a sua ilegalização. O homem que amnistiou Otelo foi o mesmo que trouxe Spínola para junto de si. O que alguns podem chamar de contradições ideológicas e políticas, ele chamaria de reconciliação. De respeito pela diferença de pensamento, pela diversidade das ideias”, relembrou.

Esta atitude do histórico socialista, explica Aguiar-Branco, foi adotada “não por uma casta noção de tolerância, mas pela certeza de que o país só cresce e se desenvolve com a diferença e pela diferença”.

“A certeza de que a diferença exige mais de nós. Que a diferença soma e acrescenta. Isso é sabedoria. É bom senso. Como português, cidadão e eleitor só posso esperar o mesmo para esta casa: O respeito maior pela diferença, de que a composição desta assembleia é, hoje, exemplo, fruto da afirmação livre da vontade dos portugueses”, afirmou.