Tudo aos tiros nas Polícias

A troca de galhardetes, nas redes sociais, entre a PJ e a PSP está ao rubro, com três sindicatos ao barulho, onde até se fala em apoio psicológico

Urgências hospitalares, gratificados que tentam suprir remunerações insuficientes, parolos, tasca, cuspir no prato em que se come, bacalhau à Zé do Pipo, cada macaco no seu galho, outra vez arroz, comédia, primos ricos que só aparecem para jantar ou apoio psicológico são algumas das iguarias da ementa que fazem parte da guerra entre a Polícia Judiciária e a PSP e GNR. Confusos? Vou tentar explicar. O conflito entre a PJ e as forças de segurança – a Judiciária define-se como um ‘serviço’ de segurança – tem, nas minhas contas, mais de 30 anos, altura em que a PJ perdeu a exclusividade do combate ao tráfico de droga, embora os agora homens de Luís Neves, diretor nacional da PJ, digam que a lei não dá essas competências à PSP e à GNR. Já o Ministério Público considera o contrário, e recorre, muitas vezes, às duas forças de segurança, em matéria de droga e não só.

Os ataques entre sindicalistas, dois sindicatos da PJ e um da PSP, tem vindo a aquecer nos últimos tempos, e esta semana a conta do Facebook da Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Criminal (ASFIC) da PJ encheu-se de comentários de polícias e militares furiosos com o que Nuno Domingos, presidente, escreveu num artigo no Correio da Manhã que terminava da seguinte forma: «A uns cabe apanhar os traficantes de rua, a outros combater organizações criminosas. Sem complexos». Isto numa altura em que a PJ deteve dez militares da GNR e um agente da PSP, acusados de integrarem uma rede de tráfico de imigrantes, escravizando-os mesmo.

Como diz o ditado, quem não se sente não é filho de boa gente, e dezenas de militares da GNR e elementos da PSP encheram a caixa de comentários da ASFIC com a tal ementa enumerada no princípio do texto. Pelo meio, Rui Paiva, presidente do Sindicato do Pessoal de Investigação Criminal da PJ, questionou no Observador se «será aceitável que a PSP enjeite funções que são apenas suas – o controlo das fronteiras – para expandir-se numa área – a investigação criminal – em que duplica funções com a PJ?», dando depois o exemplo da urgência de um grande hospital central que tem centenas de utentes, mas só existe um médico, pois «conta com centenas de médicos, mas todos eles preferem realizar outros serviços mais do seu agrado (…) Não querendo a direção do hospital desagradá-los, não os coloca no serviço de urgência, acabando este por ficar congestionado até ao colapso».

Bruno Pereira, presidente do Sindicato de Oficiais da PSP, que não é de se ficar, respondeu na edição online do SOL: «Por norma não costumo dar grande atenção ou relevo a pequenos comentários ou à crítica de vão de escada, mas desta vez não o poderei fazer já que os mesmos ultrapassam limites do respeito institucional para com uma organização centenária, ofendendo, sem pejo, todos os profissionais que nela trabalham». Depois de relembrar o papel da PSP e da GNR na investigação criminal, nomeadamente no combate ao tráfico de droga, semelhante ao da PJ, no seu entender, Bruno recorda que «a PSP é hoje escolhida pelo MP para realizar a investigação de mais de 50% das investigações criminais em Portugal, pelo que se espanta que outros queiram afastar ou esmorecer o seu papel primário neste capítulo, muitas delas com objetos criminais que seriam, em tese, da competência da PJ, mas que o MP, nos termos dessa mesma lei, decide entregar à PSP». 

Se Rui Paiva acabou o seu texto a dizer «haja bom senso! E, já agora, quem arrume esta [PSP] casa», Bruno Pereira foi por outro caminho: «A discussão séria que o país precisa não é sobre quem tem o “primado” da investigação, mas sobre quando teremos coragem de abandonar um modelo que não serve ninguém e adotar, finalmente, o que toda a Europa há décadas adotou: polícias integrais, fortes, coerentes e capazes de agir como um todo». A guerra promete… 

Telegramas

Debates ao quadrado

Os candidatos presidenciais estão na maratona dos debates televisivos, mas depois usam as redes sociais para fazer a ‘seleção’ dos seus melhores momentos. O mais engraçado é que já comentadores fazem o mesmo. O espetáculo não pode parar!

Gastar milhões para destruir

O Governo francês quer destruir milhares de hectares de vinha, gastando milhões para o efeito. O excesso de produção e o facto da geração Z – nascidos em meados dos anos 90 até 2010 – não beber, assim o determina. Os meninos gostam mais de estar agarrados aos telemóveis e de falar de questões de género. Que tal nas escolas umas aulas sobre Bukowski?

Contra as lojas de souvenirs

O alerta é de Cascais, mas pode estender-se a muitas outras localidades: para quando a proibição da proliferação de lojas de souvenirs? Quando se irá proteger o comércio local, que tem identidade e marca a diferença? O presidente da junta de freguesia de Cascais/Estoril lidera, e bem, o movimento contestatário.