A passagem de ano volta a afirmar-se como um dos momentos mais relevantes do calendário turístico nacional. De Norte a Sul do país, as regiões encaram o final do ano com expectativas positivas, sustentadas por níveis de reserva elevados, forte procura dos mercados tradicionais e uma programação diversificada promovida pelos municípios, que aposta tanto em grandes espetáculos como em propostas culturais descentralizadas.
Lisboa: diversidade e descentralização
Na Região de Lisboa, a diversidade da programação e a sua distribuição pelo território continuam a ser fatores determinantes para a atratividade do destino durante a passagem de ano. A presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, sublinha ao Nascer do SOLque «as iniciativas promovidas pelos diversos municípios desempenham um papel essencial na dinamização do território, sobretudo em épocas festivas».
A responsável destaca ainda a importância da «descentralização das celebrações por vários pontos estratégicos e áreas de referência».
O programa de passagem de ano 2025/2026 reflete essa estratégia, com vários municípios a apostarem em palcos de grande dimensão e nomes da música portuguesa. Almada, Cascais, Montijo, Lisboa, Setúbal e Seixal recebem concertos que culminam na contagem decrescente, acompanhada por espetáculos de fogo de artifício sobre os estuários do Tejo e do Sado. Barreiro, Mafra e Sintra privilegiam concertos, enquanto Sesimbra aposta numa programação com DJs. Oeiras destaca-se com um espetáculo pirotécnico, a Moita dinamiza a zona ribeirinha com música e animação de rua, e Vila Franca de Xira e Setúbal complementam a oferta com mercados temáticos, iluminações artísticas e atividades dirigidas às famílias, detalha Carla Salsinha.
«Este conjunto de iniciativas robustece a oferta turística da região de Lisboa e assegura uma distribuição equilibrada dos fluxos de visitantes por todo o território», finaliza.
Algarve com reservasacima do ano passado
No Algarve, as perspetivas para a passagem de ano são descritas como muito positivas. O presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, adianta que as reservas para este período «encontram-se acima dos valores registados no ano passado», refletindo uma procura consistente. E defende que «a dinâmica observada nas reservas antecipadas reforça o otimismo regional do setor».
Durante este período, o mercado nacional mantém-se como o principal emissor de turistas para a região, seguido de Espanha. O Reino Unido continua a assumir um papel relevante, a par de mercados como a Alemanha e os Países Baixos. Para André Gomes, «a programação diversificada pensada para diferentes públicos contribui para reforçar a atratividade do Algarve enquanto destino de fim de ano, complementando a oferta de alojamento, restauração e lazer existente na região».
Albufeira e Portimão voltam a apostar em programas que se estendem por vários dias, com espetáculos musicais e fogo de artifício, enquanto municípios como Lagoa, Olhão, Faro, Alcoutim, Vila Real de Santo António, Tavira, Lagos e Loulé apresentam programas próprios, reforçando uma oferta descentralizada.
Alentejo antecipa ocupação acima dos 80%
Também no Alentejo as expectativas são positivas. José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, indica que «nesta fase estaremos já com um índice de reservas a rondar os 65% a 70%», apontando para uma ocupação superior a 80% à entrada no novo ano, também muito devido às reservas last minute.
O responsável sublinha ainda o peso do mercado nacional, embora destaque a procura internacional: «O português lidera, mas também recebemos espanhóis, brasileiros, alemães e norte-americanos». Em polos como Évora e Comporta, «a ocupação será praticamente de 100%», com muitos hotéis a antecipar um desempenho melhor do que no ano anterior.
Centro com elevada taxa de ocupação
Também no Centro do país há motivos para sorrir com boas perspetivas. O otimismo chega com base num inquérito realizado pela Turismo Centro de Portugal «junto dos empreendimentos turísticos da região – representativos de cerca de 20% da capacidade total de camas – indica que quase metade das unidades (46%) estão esgotadas ou em vias de esgotar na noite de réveillon», diz a entidade ao nosso jornal, defendendo que «este indicador confirma que o fim de ano continua a ser um período forte para a região, com uma procura consistente e alinhada com os padrões registados em anos anteriores, apesar de um contexto económico exigente».
A nível de mercados, o turismo do centro diz que, nesta época do ano, o destaque vai para o mercado interno «sobretudo famílias e pequenos grupos, que optam por estadias de curta duração associadas às celebrações de fim de ano». No entanto, em alguns territórios e tipologias específicas, «nomeadamente no litoral, na Serra da Estrela e em zonas urbanas com programação estruturada, existe também procura de mercados internacionais de proximidade, embora o peso principal continue a ser claramente nacional».
Iniciativas levadas a cabo pelos vários municípios da região ajudam a que estas boas perspetivas se tornem realidade. «Eventos de passagem de ano, concertos, fogo de artifício, mercados de Natal prolongados e iniciativas culturais funcionam como fatores que influenciam a escolha do destino, sobretudo quando articulados com a oferta de alojamento, restauração e animação local», defende o Turismo do Centro, acrescentando que estas iniciativas contribuem «para distribuir os fluxos turísticos por diferentes territórios da região, reforçando a vitalidade económica local e a experiência global do visitante».
A expectativa é que esta passagem de ano seja semelhante aos anos anteriores com «uma elevada taxa de ocupação».
Madeira perto da ocupação total
A Madeira mantém-se como um dos destinos de maior projeção na passagem de ano. De acordo com a Associação de Promoção da Madeira, trata-se de «um dos momentos mais emblemáticos e identitários do destino», cujo destaque vai para o espetáculo pirotécnico do Funchal, reconhecido internacionalmente.
Uma auscultação realizada a 9 de dezembro aponta para uma taxa de ocupação de 92% no final do ano, ligeiramente superior à registada no mesmo período do ano anterior, com a expectativa de que «as reservas continuem a crescer até ao final do mês, aproximando a ocupação dos 100%, tal como em anos anteriores». Em termos de mercados emissores, o top 5 em 2025 é composto pelo mercado nacional, Alemanha, Reino Unido, França e Polónia.
A entidade diz ao nosso jornal que as iniciativas desenvolvidas pelos municípios e entidades «contribuem para um destino mais completo, mais atrativo e com maior capacidade de dar resposta às expectativas de diferentes perfis de visitantes».
Hoteleiros antecipam um final de ano positivo
Dados recentes de um inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) revelam que as taxas de reserva mais elevadas para a passagem de ano se registam na Madeira (79%) e na Grande Lisboa (58%). Na Madeira e no Alentejo, 61% e 58% dos hoteleiros, respetivamente, antecipam uma taxa de ocupação melhor ou muito melhor face ao ano anterior.
Já nos Açores e na região do Oeste e Vale do Tejo, as expectativas são menos favoráveis, com a maioria dos hoteleiros a prever uma ocupação inferior. Na Grande Lisboa, as perspetivas encontram-se repartidas entre cenários piores, semelhantes e melhores face ao último réveillon.