Opiniao

Paixão e humilhação

Os clássicos com o Benfica costumam ser dias de festa no Porto. Umas semanas antes do jogo, já os adeptos portistas andam a afiar o dente, na expectativa de darem umas boas dentadas no rival. E em geral conseguem-no. Ainda perduram na memória os 5-0 com que Villas-Boas brindou Jesus. Já para não falar na suprema perfídia que foi o golo de Kelvin há um ano – transformando, aos 92 minutos, o adeus ao título na festa da vitória.

Mas fúnebre vai mesmo ser o clássico de hoje. Ainda que o FC Porto repita os 5-0 de há três anos, o ambiente será de velório. Porque o dragão caiu num buraco do qual não sabe se vai sair tão cedo – ao mesmo tempo que vê a águia toda emplumada e cheia de si a dar cartas por todos os estádios. A tal ponto, que leva hoje ao Porto os piores jogadores, porque os melhores têm coisas mais importantes a fazer.

Mas este carrossel estonteante devia levar os adeptos, não a moderar as emoções, como alguns pretendem, mas a evitar as humilhações alheias. Paixão pelo clube é uma coisa, humilhação do adversário é outra.

E quer os do Porto, quer os do Benfica, quer os do Sporting já viram o bastante para saberem que quem humilha hoje é humilhado amanhã.