Sociedade

Negligência responsável por quase 4 em cada dez incêndios

Os comportamentos negligentes, como queimadas ou fogueiras, estiveram na origem de 35% dos incêndios investigados no ano passado pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Apesar de ainda haver muitos fogos postos intencionalmente (22% por cento), a falta de cuidado dos portugueses na floresta continua a ser a principal razão para os números trágicos de todos os verões. As investigações feitas este ano apontam para a mesma tendência e resultaram já em quatro detidos e 99 suspeitos identificados pelo crime de incêndio.

Na véspera do arranque da fase bravo, que mobilizará para o terreno mais de 1500 equipas e um total de 6500 operacionais, é preciso voltar a alertar a população, considera o director do Serviço Especial de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR, o tenente-coronel Joaquim Delgado. “É esse trabalho de sensibilização que temos vindo a fazer desde o dia 1 de Abril através da operação Floresta Protegida”, explicou ao SOL o responsável pela rede de vigilância e detecção dos incêndios, que este ano reforçou o dispositivo “porque o risco também aumentou”. 

“Dizer que não podem fazer lume ou que têm de limpar os terrenos à volta das habitações”, acrescenta, lembrando que estas acções são feitas nas aldeias, nas escolas, junto das populações e em parceria com os bombeiros, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e as autarquias. A partir de agora, “e depois de termos passado a informação, entramos mais na fase da fiscalização”.


É à GNR que investigar a causa de todos os incêndios. Para isso, foram formados este ano mais 100 militares do SEPNA. Como são os primeiros a chegar ao terreno, recolhem indícios, identificam suspeitos e, em muitos casos, fazem detenções em flagrante delito. Apenas quando há indícios de dolo é que a investigação passa para a alçada da Polícia Judiciária. 


No ano passado, os militares levantaram 4649 autos de crime de incêndio, apanharam 42 pessoas em flagrante e identificaram 526 suspeitos da prática deste crime. Do lado da Judiciária, os números também foram superiores aos anos anteriores: 130 detidos, 48 dos quais ficaram em prisão preventiva.


99 suspeitos e 4 detidos por crime de incêndio desde Janeiro


Já este ano, e ainda a algumas semanas de entrada no período crítico dos fogos (1 de Julho a 30 de Setembro), os números mostram já a mesma tendência. Ou seja, 66% dos 624 incêndios investigados até ao dia de ontem foram desencadeados por comportamentos negligentes e apenas 14% por causas intencionais. Nestas investigações foram detidas quatro pessoas e identificados 99 suspeitos da prática de crime de incêndio.

rita.carvalho@sol.pt