A elegância não se compra

Aprendi, desde que me recordo de ser pensante, que a elegância não vai à balança, não vê caras nem tão pouco corações. Podes ser gorda, feia e má pessoa, mas nenhuma das três anula a forma como te apresentas e como és avaliada.

 

O Ruben e a Cátia (qualquer semelhança com a Palhinha é pura coincidência…) não alinham nitidamente pelo mesmo diapasão. Para ambos a noção estética do que é adequado ao seu corpo não engana e basta-me um olhar para lhes tirar, de imediato, uma radiografia.

Na discoteca ‘da moda’ a noite já vai longa, mas o sol reluz como nunca – pelo menos a avaliar pelos óculos ‘Ray Van’ que o sujeito faz questão de manter, talvez para esconder o ar pastoso do gel que alguma alma criminosa lhe aconselhou. Ninguém lhe é indiferente, mas duvido que perceba que não é pelos melhores motivos.

Cátia acompanha com um cabelo banhado a cor cobre onde, por motivos que desconheço, as raízes foram deixadas à sua sorte (leia-se cor natural). Perco a vontade de seguir a sua permanente, mas a barriga proeminente salta literalmente à vista. Choque. Volto a olhar e não consigo disfarçar um sorriso de troça que me vence a boa educação. Repito, não por ter uns quilinhos a mais, mas sim por não os saber usar a seu favor.

Ele aproxima-se de mim com ar ameaçador, talvez por achar que estou a flirtar com a sua dama. Viro costas num ápice, não gosto de confusões. Muito menos com pessoas que não percebem que cada um tem o seu corpo e o seu estilo. A elegância não se compra, mas há por aí pessoas que perderam a noção do ridículo.

Sugestões:
l Clube: D-Edge (São Paulo, Brasil)
l Música: Me and Lisa (Rufus Wainwright)