Opiniao

O Evereste

Na literatura de liderança utiliza-se por vezes a expressão 'objectivos Evereste'. É benéfico para as organizações, projectos ou mesmo indivíduos estarem confrontados com um sistema de objectivos que sejam específicos, mensuráveis, alinhados com a estratégia, realistas e limitados no tempo. Mas os objectivos Evereste são mais. Desde logo, devem transcender o que é normal ou expectável. Depois, devem possuir o valor intrínseco de serem bons em si mesmo. Devem estar focados em oportunidades, possibilidades e potencial, mais do que na mera resolução de problemas. Devem também ser maiores do que a organização ou indivíduo directamente envolvido ou seja, a sua consecução deve beneficiar outros para além daqueles que perseguem o objectivo. Finalmente, os objectivos Evereste devem ser inerentemente motivadores, levando a que indivíduos e organizações os queiram alcançar de motu próprio, com energia e sem desfalecimento.

O Evereste

O projecto que a Nova SBE apresentou publicamente na passada terça-feira é um objectivo Evereste. Visa a construção de um novo Campus para a Escola em Carcavelos, no concelho de Cascais. A localização é icónica: um terreno de 10 hectares, enfrentando o Forte de São Julião da Barra e junto às praias da Torre e de Carcavelos. O projecto de arquitectura é lindo: discreto, excelentemente integrado na paisagem e  feito a pensar nos estudantes e nos desafios do ensino e aprendizagem no século XXI.

Mas não é a sua localização nem os seus edifícios que o tornam num projecto 'Evereste'. O 'desvio positivo da normalidade' que caracteriza este tipo de objectivos deriva de, por um lado, da intenção estratégica que lhe subjaz e, por outro, das condições em que foi levado a cabo.

Na realidade, muito mais do que cimento, o que está em jogo é a criação de uma nova indústria exportadora assente no ensino superior (ES). Uma actividade que, alicerçada na qualidade académica e num estilo de vida ‘west-coast’, possa fazer da Nova, agora, e do ES, mais tarde, um íman capaz de reter os melhores portugueses e de atrair talento jovem oriundo de todas as partes do mundo. Uma indústria que em 10 anos possa ter um contributo para as exportações equivalente ao que hoje tem a indústria do calçado.

Este projecto caracteriza-se também pela auto-superação dos objectivos Evereste. Foi lançado no meio da crise financeira e sem qualquer dinheiro público. Resulta de uma virtuosa cooperação público-privado onde se destacam os apoios materiais significativos da Família Soares dos Santos, do Banco Santander, do Jerónimo Martins, da Câmara de Cascais e de muitos antigos alunos. Notável numa sociedade acusada de indiferença e de relutância em dar para acções de angariação de fundos. Talvez o que faz a diferença seja mesmo o querer escalar o Evereste.

“Quando tudo parecer estar contra si, lembre-se: o avião levanta voo contra o vento, não a favor” (Henry Ford).

 

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