Opiniao

Um prémio contra o estado a que chegámos

Malala Yousafzai voltou a inscrever o seu nome na História. Até agora a pessoa mais nova distinguida com o Nobel era o físico William Lawrence Bragg, à data com 25 anos. Bragg recebeu o prémio em conjunto com o pai, William Henry Bragg em 1915, pelos estudos sobre os raios-x. Quanto ao Nobel da Paz, a iemenita Tawakkol Karman era a laureada mais nova, com 32 anos.


Malala tem apenas 17 anos. Mas o que fez desde os 11 vale pela vida inteira de milhares ou milhões. Ao fazer uma campanha, através de um blogue, contra a barbaridade dos talibãs e as ameaças que as raparigas paquistanesas do Vale de Swat sofreram por simplesmente frequentarem a escola. Ao sofrer no tronco e na cabeça as balas dos obscurantistas que a atingiram, bem como a duas colegas, pela "pregação do secularismo e da chamada moderação iluminada", como justificaram os algozes.

No mundo ocidental parece bizarro uma jovem discursar pelo direito à educação e afirmar que um lápis é mais poderoso do que uma espada. Mas como se vê na fronteira da Turquia com a Síria, ou aqui mais perto no Magrebe, não falta quem mate pela espada contra o lápis.

A justeza e o sentido de oportunidade deste Nobel da Paz, ao contrário de outros bem mais recentes, são de louvar.

cesar.avo@sol.pt

 

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