Internacional

‘Uma espectacular história de sucesso’: como a Nigéria ficou livre do ébola

A Organização Mundial de Saúde declarou hoje a Nigéria livre do ébola, depois de 42 dias sem qualquer caso detectado de infecção pela doença. 

Esta é “uma espectacular história de sucesso” considerou o responsável da Organização neste país, o moçambicano Rui Gama Vaz.  Tinham sido reportados 20 casos de ébola, dos quais resultaram oito mortes – uma delas foi a do ‘doente 0’, que viajou da Libéria por avião já com sintomas e levou a doença para a Nigéria. 

O homem, que se chamava Patrick Sawyer, era um liberiano naturalizado norte-americano que estava a viver no país natal e terá contraído a doença através da irmã. Morreu pouco tempo depois de chegar a Lagos, a capital nigeriana, onde vivem cerca de 20 milhões de pessoas.

Não é só Lagos que é densamente povoada, estima-se que a Nigéria terá cerca de 300 milhões de habitantes, sendo a mais populosa nação africana. Os responsáveis da Organização Mundial de Saúde explicaram como  foi possível conter e reverter a epidemia neste cenário de potencial contágio em enorme escala.

Tal como aconteceu em Espanha, o objectivo foi isolar as pessoas infectadas e quem tivesse estado em contacto com elas. As autoridades localizaram todos os doentes com ébola no país, todos eles relacionados com Patrick Sawyer - que tinha sido isolado mal chegou a Lagos e os médicos que o assistiram colocados em quarentena mal a análise deu positivo. 

Em Agosto, o ministro da Saúde nigeriano fazia o relato de 189 pessoas em observação em Lagos e outras seis em Enugu, cidade no sudeste do país. 

Por outro lado, também para fazer face à potencial epidemia, os doentes confirmados com o ébola estavam numa nova ala de isolamento num  hospital do subúrbio de Lagos, Yaba.

Uma estratégia de sucesso: “O surto na Nigéria foi contido”, como hoje anunciou Gama Vaz. “Mas deve ficar claro que só ganhámos uma batalha. A guerra só terminará quando a África ocidental também for declarada livre da doença”, acrescentou este médico.

Mesmo quanto à Nigéria, os riscos subjacente são uma preocupação: a localização geográfica do país e as suas extensas fronteiras mantêm-no vulnerável à importação de novos casos. “É preciso continuar a trabalhar com os Estados para assegurar que estes estão preparados para reagir rapidamente, caso haja uma potencial re-importação”, concluiu o responsável.

teresa.oliveira@sol.pt

*    com AP