Internacional

Quénia quer dar luta ao califado

Na reacção à execução sumária de 36 quenianos não-muçulmanos às mãos dos extremistas islâmicos do al-Shabaab no início da semana, o Presidente Uhuru Kenyatta fez rolar cabeças: demitiu o ministro da Administração Interna e o chefe da Polícia Nacional, prometendo não recuar na luta contra os terroristas.

Os radicais somalis do al-Shabaab - grupo com ligações à al-Qaeda - têm levado a cabo ataques no vizinho Quénia, em retaliação pela presença de tropas quenianas integradas numa missão de paz da União Africana.
Na semana passada, um autocarro foi sequestrado pelos extremistas, que assassinaram 28 dos cerca de 60 passageiros - aqueles que não souberam recitar os versos da shahada, ou confirmação de fé islâmica. Já na terça-feira, na mesma zona do Nordeste queniano, militantes do al-Shabaab tomaram de assalto uma pedreira durante a noite, acordando os trabalhadores que repousavam em tendas: os não-muçulmanos foram executados a tiro e pelo menos dois foram decapitados.
O Presidente Kenyatta chamou então o general na reserva Joseph Nkaissery para tutelar o Ministério da Administração Interna, após demitir Joseph Ole Lenku - muito criticado desde o mais mediático dos ataques do al-Shabaab, em Setembro de 2013: o cerco ao centro comercial Westgate, em Nairobi, no qual morreram quase 70 pessoas. Kenyatta ainda tem de encontrar um novo chefe da Polícia Nacional para tomar o lugar de David Kimaiyo, mas já garantiu que os soldados quenianos não vão retirar da Somália porque o objectivo dos terroristas é «estabelecer um califado extremista» na região. 
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