Internacional

É desta: em 2016, 1% dos mais ricos terá mais rendimento do que toda a população mundial

O índice de desigualdade de rendimentos tem subido em todos os países, quer nos desenvolvidos, quer nos que se encontram no grupo dos que estão em vias de desenvolvimento. É o que dizem organizações como a OCDE, a ONU ou a não-governamental Oxfam. Segundo um relatório desta última – que está presente em diversos países e cujo trabalho se centra no combate à pobreza e à injustiça social –, a concentração de capital por parte dos mais ricos aumentou nestes últimos anos de crise. E, com ela, acentuaram-se fortemente as desigualdades. 

Divulgado hoje, o relatório intitula-se ‘Ter Tudo e Querer Mais’ e aponta os aumentos percentuais obtidos por fortunas privadas, fruto, lê-se, “não de um acidente nem de uma regra natural da economia” mas de “políticas”. A organização elenca os principais multimilionários do mundo e apresenta a subida, em percentagem, do seu património. Ao mesmo tempo, defende, há um decréscimo acentuado nas políticas públicas e na mobilidade social. Exemplos? As fortunas associadas ao sector financeiro e aos seguros cresceram 11% entre 2013 e 2014. As que se ligam ao sector farmacêutico dispararam ainda com maior rapidez – 47% no mesmo intervalo de tempo. Ao mesmo ritmo, continua o relatório (que pode ser consultado aqui), 2016 será um marco – os rendimentos dos tais 1% mais ricos vão superar o da população mundial na totalidade, uma tendência que se deverá acentuar continuamente até 2020. 

A Oxfam recomenda, entre outras medidas, um reequilíbrio no pagamento de salários (tentando, especialmente, que o desnível entre trabalhadores e gestores se reduza), a promoção da igualdade de rendimentos entre homens e mulheres e um reequilíbrio fiscal entre cidadãos e empresas.

ricardo.nabais@sol.pt