Opiniao

A Dama e o Cavalheiro

Esta semana o vídeo do novo site de moda 'Parisian Gentleman' tornou-se viral nas redes sociais e não há quem não o comente. O assunto é trivial mas, como todos os assuntos triviais, é na abordagem e na perspectiva em que são colocadas as questões que difere a adesão e o interesse que os mesmos despertam no público. E às vezes apenas precisamos de ser arrojados e não ter medo do que os mais pudicos irão pensar, mostrando claramente aquilo que está à vista de todos mas que tantos têm vergonha de explorar e comentar.


O teaser termina com a frase 'A world without gentlemen is a world without ladies' e percorre desde o seu início comportamentos menos próprios de um público feminino sem os verdadeiros cavalheiros, o que as leva a cuspirem no chão, a urinarem na rua, a vomitarem depois de uma noitada daquelas, a fazerem o gesto feio com o dedo visto habitualmente no trânsito, a mascarem pastilha de boca aberta ou 'tão-só' a andarem à pancada depois de uma qualquer discussão.

Pese embora o sensacionalismo inerente ao mundo publicitário, a mensagem demonstrativa da relação causa-efeito que a temática implica dá que pensar e transporta-me para aquilo que temos e vivemos no nosso dia-a-dia. Os comportamentos, as atitudes, as emoções e razões que levam muitos e muitos homens a afastarem-se do conceito de 'cavalheirismo' por alguma falta de princípios e convicções adulteradas, considerando-se por vezes fora de moda, caído em desuso e sendo, às vezes até em última instância, gozado quem adopta este tipo de comportamento.

Não estou nada de acordo com essa forma de pensar. Acredito sinceramente que nunca é demais termos atitudes de respeito e atenção para com as mulheres, demonstração de sensibilidade apurada, carinho e profundidade de intenções. Acho é que essas próprias intenções são hoje em dia passíveis de ser activadas de uma outra forma. Até percebo que possa ser démodé oferecer um ramo de rosas ou fazer uma serenata à janela de alguém (até porque os vizinhos não são hoje em dia tão complacentes) mas quem pode recusar dar passagem a uma mulher, surpreendê-la estando atento aos mais simples pormenores, ajudá-la e apoiá-la no dia-a-dia, nas coisas mais simples mas mais importantes?

Quem se distancia desta forma de estar na vida não é moderno nem evoluído, antes pelo contrário, essa mania de que elas gostam é dos mauzões sem princípios não me convence, não me atrai, nem me estimula minimamente a ser assim. E o problema é que acho sinceramente que a forma como nos estamos a afastar desses conceitos está efectivamente a transformar as mulheres em pessoas menos sensíveis.

Por muitas voltas que o mundo dê, eu sou pelo cavalheirismo e pelas senhoras, sou porque acredito que o charme, a atracção e a emoção das relações passa também por aí e mais do que isso: quando a beleza se vai e fica o amor por algo maior são essas demonstrações constantes, essas surpresas nos momentos mais inesperados, esse pequeno toque de sensibilidade que mostra a quem está ao nosso lado que não existe ninguém tão especial. Essa é para mim a verdadeira força que nos torna únicos. A sociedade seria bem melhor se o seu espelho fosse novamente a Dama e o Cavalheiro.