Internacional

Índia: Pai da vítima de violação defende que todos deviam ver o documentário da BBC

O pai da jovem que morreu após ter sido violada por seis homens em Nova Deli disse hoje que toda a gente devia ver o documentário da BBC sobre o ataque transmitido pela BBC, mas proibido na Índia.

A emissora britânica antecipou a estreia do documentário "A filha da Índia" para quarta-feira (estava agendado para domingo, dia 08, quando se assinala o Dia Internacional da Mulher), alegando interesse público, depois de um tribunal indiano ter proibido as emissoras locais de o transmitir.

O filme gerou um aceso debate na Índia, já que inclui uma entrevista em que um dos condenados, Mukesh Singh, culpou a vítima de 23 anos, dizendo que não devia ter saído naquela noite e que não devia ter resistido à violação.

O pai da jovem, que quis permanecer anónimo, defendeu hoje que os comentários de Singh deviam ser expostos publicamente e que "toda a gente devia ter o filme", citado pelo canal NDTV.

"Se um homem pode falar assim na prisão, imaginem o que diria se estivesse livre", afirmou, descrevendo o documentário como "uma verdade amarga".

A mãe da vítima disse à NDTV que planeava transmitir o documentário antes da decisão do tribunal, que não se opunha à proibição, mas acreditava que a postura de Singh é comum na Índia.

"Não me interessa o que o Governo faz, proíbe o filme, não proíbe o filme, o que sei é que ninguém está com medo. Não é apenas Mukesh que pensa assim", afirmou.

Na noite de 16 de Dezembro de 2012, a estudante foi violada e torturada por seis homens num autocarro em movimento em Nova Deli, tendo morrido 13 dias mais tarde num hospital em Singapura.

Lusa/SOL