Opiniao

Referendo no Luxemburgo, sobre voto dos estrangeiros, dá que pensar

Os luxemburgueses recusaram no domingo passado o voto dos imigrantes nas legislativas, de forma esmagadora, com 78% das posições assumidas. O "Sim" recolheu apenas cerca de 22%, correspondentes a 44 mil eleitores dos cerca de 246 mil inscritos. E só se propunha, para já, a hipótese de os estrangeiros votarem, e não a de serem eleitos. Mas conseguida uma coisa, obviamente se caminharia com rapidez para a outra.

Aparentemente, a coisa parece entrar em contradição com a Democracia. Como disse o primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, "nenhum país no mundo, exceto o Dubai, tem um défice democrático" tão grande como o Luxemburgo, por causa da exclusão dos estrangeiros das eleições nacionais. De facto, vivem ali 46% de pessoas estrangeiras.

Os primeiros decepcionados foram os portugueses, que representam 16% da população. Mas, como disse uma representante sua à comunicação social, o referendo foi positivo, e "um passo em frente para a mudança de paradigma na sociedade luxemburguesa". E acentuou: "Houve brechas que se abriram na sociedade luxemburguesa e nas mentalidades, e as vitórias não se fizeram com uma só batalha".

Isto faz lembrar a invasão da Europa por muçulmanos africanos, que não se integram na vida do Continente, e odeiam os países de acolhimento. Não falta muito para que sejam maioria em vários países. Pelo que o último livro de Houellebecq, Submissão (que imagina um Governo muçulmano em França, o qual, apesar de ‘moderado’, arrasa os costumes europeus e impõe os árabes), é menos ficcionista do que parecia. E deve levar-nos a pensar como os ares dos tempos estão a abrir a porta a invasões menos bélicas do que as dos vândalos e outros bárbaros, mas com efeitos talvez mais devastadores (que o radicalismo do Estado Islâmico também não alcança, e fomenta sobretudo ao empurrar pessoas para cá).