Opiniao

Zero a Matemática tem de ser chumbo

Dizia-me uma professora de matemática estar a sofrer pressões para não dar negativas aos alunos, mas que ela não se sentia capaz de não o fazer quando estes nem sequer tinham a preocupação de saber um mínimo, e entregavam arrogantemente satisfeitos uma prova em branco. Parece que alguns estudantes se matriculam como condição para ganharem algum dinheiro, e estão revoltados nas aulas, a brincarem com smartphones ou tablets (não lhes falta o dinheiro para isso), e nem sequer se dão ao incómodo de ouvir a professora. E esta não gosta de dar positivas a quem merece zeros ou perto disso.

 Há dias, li nos jornais dados do próprio Ministério da Educação a especificarem que o número de alunos com ‘zero’ (ZERO, repito) a Matemática, no 9º ano, aumentou 800% do ano passado para o actual. E querem doutrinar sobre as vantagens de não se darem negativas? Ou sobre a necessidade de deixar esta gente ser mal criada, agressiva e arrogante nas aulas, para colegas e professores (o tal ‘bulying’)? E ainda pressionam os professores, para quem não só os alunos, mas também familiares seus, são mal criados e agressivos?

Pois, na minha escassa opinião, venham os chumbos. Um zero mostra o desinteresse completo de um aluno. E para bem dele próprio, e da sociedade em geral, é bom haver modos de o pressionar a ele a esforçar-se um mínimo por aprender.

Mas pelos vistos há outras maneiras de aumentar as notas, sem ser com aumento de conhecimentos. Acabamos de saber que as notas de Matemática, nos exames do 12º Ano, subiram de 9,2 pontos em 20, para 12. A Associação de Professores de Matemática e a Sociedade Portuguesa de Matemática (que já foi presidida pelo actual ministro Nuno Crato, então a usar o cargo para se atirar ao Governo PS), numa análise mais serena agora, concluíram que a subida desta média não equivale a mais saber, mas a alterações dos exames e sua avaliação. O que foi corroborado pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), do Ministério.

O eleitoralismo, em campanhas políticas, é mesmo terrível.