Economia

Sonae em Angola é cada vez menos provável

A Sonae continua sem ter qualquer resposta de Isabel dos Santos quanto à parceria entre o grupo português e a empresária angolana para abrir hipermercados Continente em Angola.

 

E na empresa da Maia já se fala de uma «reduzidíssima possibilidade» de este projecto realmente avançar, afirmou ao SOL uma fonte próxima do processo. Há vários meses que não há quaisquer evoluções ou equipas no terreno dedicadas à entrada do grupo em Angola.

Questionada pelo SOL, a empresa da família Azevedo diz apenas não ter havido qualquer desenvolvimento face a Fevereiro. Nessa altura, as relações entre os dois parceiros terão ficado mais tensas devido à contratação de dois quadros de topo da Sonae por parte de Isabel dos Santos, um dos quais muito ligado à entrada do grupo em Angola. Alegadamente integraram outro projecto de retalho no mercado angolano.

A situação levou a Sonae a pedir formalmente esclarecimentos, mas continua sem recebê-los.

Sucessivos adiamentos

Foi em Abril de 2011 que a retalhista portuguesa e a Condis - controlada por Isabel dos Santos - formalizaram uma joint venture. A Sonae ficou com 49% da parceria que iria levar a rede Continente para o mercado angolano. 

O plano passava por ter quatro a cinco pontos de venda, estreando a marca em Luanda e ainda criar uma plataforma logística e um clube de produtores locais.

A primeira inauguração estava prevista para 2013, prazo que foi sendo sucessivamente adiado. Em 2013, a Sonae - que chegou a abrir candidaturas para recrutar funcionários em Angola - explicava que a demora entre a apresentação do projecto e a sua aprovação em Outubro de 2012, pelas autoridades angolanas, obrigava a uma revisão da estratégia. E avançava com novo calendário: 2014 ou 2015. Sem sucesso.

Em Março deste ano, na apresentação de resultados anuais do grupo, o agora co-presidente Paulo Azevedo evitou falar muito do assunto. «Para dar os próximos passos que estavam combinados é preciso uma resposta», sublinhou. Questionado sobre em que fase estaria a parceria respondeu que «também gostaria de saber».

Agora, não é claro qual o futuro da aliança nesta área de negócio.

Ainda assim, o grupo tem feito questão de deixar claro que, apesar do impasse quanto à aliança na distribuição, as relações com Isabel dos Santos, que também é parceira de negócios na NOS, vão de boa saúde.