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Fruta para combater a obesidade infantil

Apenas 2% das crianças ingere fruta fresca diariamente; 60% nunca o faz; e 90% come fast-food pelo menos quatro vezes por semana. Resultado: Portugal ocupa os lugares europeus cimeiros no que à obesidade e ao excesso de peso infantil diz respeito. Os dados foram divulgados pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) que este ano volta a lançar a sua iniciativa ‘Heróis da Fruta’, um programa gratuito para crianças de jardins-de-infância e escolas básicas do primeiro ciclo. Só na edição do ano passado, estiveram envolvidos 183.395 alunos de todo o país.

Segundo estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), em Portugal uma em cada três crianças tem excesso de peso ou obesidade infantil, número que se junta aos 177 milhões de crianças com excesso de peso, em termos globais. Para inverter esta tendência, a APCOI lançou o ano passado a iniciativa ‘Heróis da Fruta’ que pretende aumentar o consumo de fruta entre as crianças, já que há uma larga percentagem que não ainda ingere as três porções recomendadas pela OMS. Este programa intervém primeiramente ao nível da escola, já que é aí que as crianças passam, em média, seis horas do seu dia. O programa inclui guias e conteúdos pedagógicos para alunos e professores e o reforço de hábitos saudáveis através de iniciativas como o ‘Quadro de Mérito – Hoje comi fruta’.

A APCOI já divulgou os resultados preliminares do programa do ano passado e chegou à conclusão que 42,4% das crianças que integraram esta iniciativa aumentaram o seu consumo de fruta em 12 semanas. Os investigadores concluíram também que antes do programa começar, 74,2% das crianças não ingeria a quantidade de fruta recomendada pela OMS. «Como a fruta tem nutrientes insubstituíveis, o seu baixo consumo tem efeitos negativos para a saúde das crianças: dificulta o bom funcionamento dos intestinos, diminui as defesas do organismo, tornando-as mais sujeitas às doenças, nas quais se inclui a obesidade logo desde a infância, além de provocar alterações nos níveis de energia, de concentração e aprendizagem», indica a dietista Rita Loureiro, uma das investigadoras da APCOI. E acrescenta: «poucos estudos em Portugal têm uma amostra tão grande, o que nos permite obter um maior conhecimento da realidade dos estilos de vida e da caraterização do estado nutricional das crianças portuguesas». O estudo divulgou também que a região que apresentou maior percentagem de crianças obesas foi a Madeira (21,1%), seguida do Alentejo (14,6%). Já os Açores apresentaram o maior índice de crianças com baixo peso (8,1%).

A inscrição das escolas para o ano lectivo 2015-2016 termina a 9 de Outubro.

patricia.cintra@sol.pt