Sociedade

‘É urgente proteger os oceanos’

“Persiste a ideia de que os oceanos são um sistema permanentemente regenerável. Não são”. O aviso é de Tiago Pitta e Cunha, especialista em políticas do oceano e assuntos marítimos, que representou Portugal na Assembleia Geral da Convenção do Direito do Mar das Nações Unidas.


O especialista na chamada ‘economia azul’, que defende há mais de uma década que o futuro de Portugal passa pelo mar, alerta que “o equilíbrio ambiental do sistema dos oceanos, da sua biomassa e de toda a cadeia trófica podem deixar de existir dentro de 30, 40 anos”. A explicação é simples: “Estamos a ficar sem os predadores, como tubarões, atuns, entre outros, e isso provoca um desequilíbrio tremendo em toda a cadeia”. No que é que isso diz respeito ao ser humano? Os oceanos cobrem 71% do planeta, portanto, “contêm a maior parte da sua biodiversidade”, explica o cientista.

A sustentabilidade ambiental do mar será, precisamente, o ponto em que Pitta e Cunha irá centrar a sua intervenção na Conferência dos Oceanos, marcada para amanhã (a partir das 11h), em mais uma Riviera Talks, no Museu do Mar Rei D. Carlos, em Cascais, avançou o especialista ao SOL.

A conversa ­– aberta ao público e que conta com a presença de Alan Simcock, coordenador do primeiro estudo realizado sobre o estado dos mares, de Patricia Ricard, ambientalista do Paul Ricard Oceanographic Institute e do Príncipe Alberto II do Mónaco – vai debruçar-se sobre o primeiro Relatório de Avaliação Global dos Oceanos da ONU, que acaba de ser publicado. Pretende-se aumentar a literacia dos portugueses em relação ao mar.

A responsabilidade de Portugal, a ’powerhouse’

O relatório da ONU contou com um painel de especialistas de todo o mundo e alerta para a “pressão perigosa sobre os mares, resultante da atividade pesqueira e dos transportes marítimos, a necessitar urgentemente de melhor gestão para proteção dos recursos”. E é neste ponto que Portugal tem uma “tremenda responsabilidade e uma oportunidade”, salienta Pitta e Cunha.

“Somos como uma ‘power house’, temos a maior área de jurisdição marítima da Europa e estamos entre os 10 e 15 maiores do mundo” – nada menos do que quatro milhões de quilómetros quadrados.

As vantagens em relação à Europa não ficam por aqui. “O Atlântico sob jurisdição nacional tem mais biodiversidade do que qualquer outro país”, assinala ainda Tiago Pitta e Cunha.

E que não restem dúvidas: “A bioeconomia é a única alternativa para o século XXI para a União Europeia. Estamos a falar de economia circular. Será impensável dentro de 10 anos que apenas 20% dos produtos que usamos venham de empresas que usam combustíveis fósseis ou que não venham de materiais que sejam reutilizados”.

sonia.balasteiro@sol.pt