Politica

Catarina Martins acusa Europa de ‘hipocrisia’ no combate a grupos terroristas

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou a Europa de agir com "hipocrisia" em relação ao Estado Islâmico por continuar a fechar os olhos aos canais de financiamento do grupo extremista.


"Por muito que nos doa é preciso encarar de frente a hipocrisia europeia que nunca travou a compra de petróleo que vem dos territórios ocupados e que lhes garante [aos grupos terroristas] financiamento", afirmou.

Catarina Martins falava na quarta-feira à noite noite na Covilhã, distrito de Castelo Branco, na iniciativa "A Força da Esperança", que se enquadra num conjunto de sessões públicas que o Bloco de Esquerda (BE) está a promover pelo país com o intuito de explicar o acordo da maioria de esquerda na Assembleia da República.

Questionada sobre a crise dos refugiados e sobre os atentados em Paris de sexta-feira passada, apontou o dedo à União Europeia por não aprovar as "propostas sucessivas" que têm sido feitas no sentido de impedir a venda de armamento para territórios ocupados por grupos terroristas, bem como a compra de petróleo a alguns regimes.

"Isto é feito através de redes ilegais, mas a Europa tem fechado os olhos a circuitos que conhece e tem protegido regimes que têm sido cúmplices destes canais de financiamento", afirmou, acrescentando que "é preciso olhar para todas as responsabilidades".

A porta-voz do BE lembrou ainda que os atentados de Paris deixaram todos sem palavras, mas sublinhou que devem servir para "rejeitar a violência e o terror" e fazer com que se pense sobre a situação dos refugiados.

"Os refugiados que chegam à Europa estão a fugir do mesmo terror que se viveu em Paris. Estão a fugir dos mesmos carrascos que criaram o terror em Paris. Somos iguais, estamos a fugir do mesmo", disse.

Segundo defendeu, "é preciso uma intervenção clara contra o autodenominado Estado Islâmico", mas sem repetir "os erros do passado", nomeadamente os bombardeamentos indiscriminados sobre forma de retaliação.

"Tratar outras populações indefesas da mesma forma não é resposta e só alimenta o terror", fundamentou.

Lusa/SOL

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