Cultura

Cultura 2015. A Surpresa. João Soares, o ministro improvável

Devolver à Cultura a sua importância com a recuperação do Ministério da Cultura era uma das grandes promessas dos socialistas caso chegassem ao governo. Para levar a cabo a tarefa, falou-se no nome de Gabriela Canavilhas, ministra de Sócrates. E António Costa deu a entender, depois da morte de Paulo Cunha e Silva, que o vereador da Cultura da Câmara do Porto estaria em cima da mesa para o cargo. No final, o eleito acabou por ser João Soares. E esta?

Entre os rumores e especulações, o seu nome tinha de facto sido apontado como ministeriável, sim, mas para a pasta da Defesa. A escolha foi tudo menos consensual entre os agentes culturais, pouco habituados a terem um político de carreira à frente do ministério, como se viu logo pelas reações à notícia nas redes sociais. No Facebook, onde o like foi entretanto substituído por uma panóplia de reações à escolha do utilizador, foram muitos os emojis de estupefação e de desconfiança.

Em defesa de João Soares para a pasta, foi apresentado o seu trabalho na Câmara de Lisboa, primeiro como vereador da Cultura (1990 a 1995), e depois como presidente (até 2002). Vamos aos factos: Lisboa foi Capital Europeia da Cultura durante a sua vereação, em 1994. Também nesses anos foram criadas a Videoteca, a Bedeteca, a Fonoteca  e a rede municipal de bibliotecas. Foi inaugurada a Casa Fernando Pessoa e o Teatro Mário Viegas, foi lançada a Agenda Cultural. No seu currículo, Soares tem ainda a editora Perspetivas & Realidades, que fundou com Victor da Cunha Rego, em 1975, e que editou, por exemplo, a poesia de Jonas Savimbi, líder da UNITA, no livro Quando a Terra Voltar a Sorrir Um Dia.

Consensual ou nem por isso, em Lisboa João Soares deixou obra feita. Mas após mais de quatro anos de austeridade e de cortes, a receita não pode ser a mesma. Estaremos cá para ver quem tinha razão.