Economia

Eucalipto é o rei da floresta nacional

O eucalipto é a espécie mais plantada em Portugal. No final de 2015, os números confirmavam que a aposta nesta árvores tem vindo a aumentar continuamente nos últimos anos.

Há muitos anos que a floresta se transformou num negócio e o que não faltam são produtores florestais que veem na plantação de eucaliptos uma verdadeira galinha dos ovos de ouro.

E, uma coisa é certa: o eucalipto é a espécie que ocupa mais área em toda a floresta portuguesa. E os números não enganam. O aumento da produção pode justificar-se muito com o rendimento económico a curto prazo.

Desde que em 2013 saiu o decreto lei 96/2013 com o Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização, a maioria dos projetos de arborização e rearborização apresentados são de eucalipto, assim como é de eucalipto a maior área plantada.

Em 2015, os dados do Inventário Florestal Nacional mostravam que a plantação desta árvore registou um crescimento de 13% entre 1995 e 2010. Sendo que falamos da espécie dominante na floresta portuguesa, que tem como fim principal a produção de pasta de papel, ainda que há quem defenda que devem ser explorados outros objetivos como, por exemplo, a utilidade farmacêutica.

A verdade é que não é só hoje em dia que a indústria da pasta e do papel tem no eucalipto a sua principal matéria-prima. Em parte é isto que faz com que a guerra em torno dos eucaliptos continue a existir. Uns criticam o peso que os eucaliptos têm na paisagem florestal. O setor contesta.

Até porque, para alguns empresários e representantes desta indústria, é preciso ter em conta que tem existido necessidade de importar matéria-prima, por não haver em número suficiente no país. As importações, em 2016, atingiram mesmo os 200 milhões de euros. Acima de tudo, uma das maiores reclamações desta indústria é a possibilidade de haver mais eucaliptal em Portugal. E os avisos têm vindo a multiplicar-se: «Este setor é o que mais capacidade tem de irradiação de rendimento ao longo de toda a cadeia de valor».

Apesar de ser a árvore com mais expressão na floresta portuguesa, muitos também sublinham que, só em 15 anos, perderam-se 150 mil hectares de área florestal devido a incêndios.

Portugal era, em 2014, provavelmente o país com maior área de eucaliptos plantados em toda a Europa. Números que na verdade não surpreenderam porque, em 2008, o território nacional já era o maior produtor mundial desta árvore. Na altura, a área plantada ultrapassava os 700 mil hectares. Perto de 2014, já tinha atingido oficialmente uma área superior a 800 mil hectares de área plantada no país.

Primeiros meses da lei

O regime que entrou em vigor em outubro de 2003 passou a considerar os eucaliptos como sendo uma espécie igual a outra qualquer. De acordo com esta legislação, a plantação de novas zonas ou a replantação áreas degradadas, cortadas ou ainda ardidas, ficavam sujeitas a autorização, mas apenas se a área fosse superior a dois hectares. Caso ficasse abaixo deste limite, bastava apenas uma comunicação prévia. E os números são fáceis de analisar. Nos primeiros meses da nova legislação, 92% da área total de espécies plantadas correspondia a eucaliptos. Apenas 4% diziam respeito a pinheiro-manso. Os restantes 4% eram outras espécies.

A verdade é que, entre outubro e dezembro de 2013, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) recebeu pedidos de autorização e comunicações prévias para a cobertura de 2626 hectares. Sendo que, nessa área, a esmagadora maioria das intenções era poder plantar eucaliptos.

Mas os números ficavam, já nesta altura, longe de ser uma surpresa. Os dados confirmavam apenas o que já se sabia: há pelo menos duas décadas que a área de eucalipto estava a aumentar continuamente.

Também a falta de interesse em plantar pinheiros, que era antes a espécie que reinava nas florestas portuguesas, se percebia bem nos dados dos primeiros meses de aplicação da nova lei. Esta espécie começou a fazer exatamente a trajetória oposta. Entre 1995 e 2010, a área ocupada por esta espécie já tinha caído 27% e encontrava-se na terceira posição na lista das árvores dominantes em Portugal: abaixo dos eucaliptos e muito próxima dos sobreiros.

Ainda assim, a indústria considera que é importante recordar que Portugal perdeu 1/4 da área total de floresta em pouco mais de dez anos. O que tem feito com que seja necessário comprar madeira tanto a Espanha como ao Brasil.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2010, importavam-se 68 milhões de euros em madeira de eucalipto. Um valor que foi subindo até aos 131 milhões em 2013, altura em que começou a cair. Em 2015, ano a que respeitam os últimos dados disponibilizados pelo INE, foram importados 66 milhões.