Opiniao

O dia 13 de maio

O dia 13 de maio tem para mim vários aniversários. Foi o dia em que o meu pai morreu. Foi o dia em que o meu primeiro sobrinho nasceu. Foi o dia em que a minha ex-mulher começou a trabalhar na Comissão Europeia, em Bruxelas. Foi o dia do nascimento da mãe da minha ex-sogra. E, claro, foi – para os que acreditam – o dia das parições da Virgem Maria aos pastorinhos, em Fátima, em 1917.

Uma interessante reportagem publicada no Diário de Notícias de hoje chama a atenção para um anúncio, colocado naquele periódico dois meses antes das aparições, que alertava para que algo importante iria acontecer a dia 17 de maio de 1917. Intrigante? Sim, sem dúvida. Se abala a minha fé na ocorrência das aparições? Não, nem por isso. A minha fé é forte e, embora o anúncio seja de facto curioso, não põe em causa as minhas crenças.

Quem também tinha muita fé em Fátima era o Santo Padre João Paulo II. Foi a 13 de maio de 1981 que um assassino profissional, o turco Ali Agca, a soldo do Bloco de Leste (sabemos isto porque uma hora antes do atentado a rádio pública romena já noticiava que o Papa tinha morrido) o baleou, na tentativa de o matar, em plena praça de São Pedro, no Vaticano. Um ano mais tarde, quando João Paulo II visitou Fátima para agradecer o estar vivo, foi alvo de outra tentativa de assassinato, desta vez à faca, por um padre espanhol, salvo erro Krohn de seu nome.

João Paulo II reuniu-se com o seu tentado assassino Ali Agca para lhe perdoar pessoalmente. Segundo os relatos dessa ocasião, Alia Agca estava bastante agitado no início do encontro, dizendo coisas como: “Eu sou um atirador profissional. Tu devias ter morrido!”, ao que João Paulo II replicou, pacientemente: “foi Fátima, foi Fátima…” Como Fátima também é um nome sagrado para os muçulmanos – foi a primeira filha do profeta Maomé – Ali Agca terminou a entrevista com João Paulo II mais perturbado do que tinha começado.

A fé de muita gente é forte. E não será um anúncio que a irá abalar. Não irei, como na canção dos R.E.M., “perder a minha religião.”