Politica

Costa dá tolerância, esquerda compreende

Dois deputados socialistas criticaram decisão do Governo de dar tolerância de ponto por causa da visita do Papa, mas Bloco não se opõe e PCP compreende. Marcelo acha que é sensato.

O anúncio de que o Governo vai dar tolerância de ponto no dia da visita do Papa motivou algumas críticas dentro do PS, mas não mais do que isso. PCP e Bloco de Esquerda compreendem a decisão de António Costa e a direita aplaude. O Presidente da República desdramatiza a ausência de consenso: «O Governo não tem de agradar a toda a gente».

A crítica mais pesada à decisão do executivo de dar tolerância de ponto aos funcionários públicos no dia 12 de maio foi feita nas redes sociais pelo deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro. «Não é muito comum encontrar erros no Governo que apoio e para cuja maioria trabalho diariamente no Parlamento, mas aqui está um. E especialmente disparatado», escreveu, na sua página do Facebook, o socialista.

A opinião é partilhada por outros socialistas, mas Isabel Moreira foi uma das poucas que veio dar a cara para criticar o que considera ser um sinal de «imaturidade do regime». A deputada defendeu que quem quer «ir ver o Papa» devia tirar «um dia de férias».

Não vai ser assim. Os funcionários públicos vão ter tolerância de ponto e os partidos de esquerda que apoiam o Governo não contestam. «Sendo uma matéria da exclusiva responsabilidade do Governo, o Bloco não se opõe», disse ao SOL fonte do Bloco de Esquerda. Uma posição mais suave do que aquela que assumiu em 2010 quando José Sócrates decidiu dar tolerância de ponto por causa da visita do Papa Bento XVI. Nessa altura, o Bloco chegou a enviar um requerimento ao Governo a questionar «uma medida de algum abuso e de alguma discriminação que gostaria de ver explicada».

O PCP também não quis abrir nenhuma polémica e assumiu que é uma decisão que se compreende, embora assuma ter dúvidas sobre se «as razões invocadas – a visita do Papa e a expressão da população católica no nosso país – a justificam, considerando a separação entre as Igrejas e o Estado».

Costa diz que ‘é uma questão de respeito’

As críticas de alguns deputados socialistas fizeram com que António Costa tenha vindo explicar a decisão do Governo. O primeiro-ministro defendeu que não podia agir de outra maneira. «Seria uma insensibilidade da parte do Governo não o fazer. Eu não sou crente, mas respeito (…) É natural que muitos portugueses desejem participar na visita do Papa Francisco a Portugal».

António Costa defendeu que é «uma questão de respeito» e rejeitou ignorar que «muitos portugueses perfilham a fé católica e que muitos portugueses desejarão estar em Fátima».

Marcelo Rebelo de Sousa veio dar uma ajudinha a explicar a decisão do Governo e falou duas vezes sobre o assunto durante a semana. Uma, antes do primeiro-ministro, para esclarecer que esta não é a primeira vez que um Governo dá tolerância de ponto por causa da visita de um Papa. A segunda para garantir que é o mais sensato. «Um Governo não tem de agradar a toda a gente. Não agradou quando veio cá o Papa João Paulo II. Não agradou quando voltou o Papa João Paulo II. Não teve de ser consensual quando veio o Papa Bento XVI e agora também não é consensual. O problema é saber se é sensato ou não é sensato manter a tradição, eu acho que é sensato».

PSD E CDS aplaudem decisão do Governo socialista

PSD e CDS foram os partidos que receberam a notícia de que o Governo iria dar tolerância de ponto com mais entusiasmo. O deputado social-democrata Duarte Pacheco aplaudiu a decisão por mostrar que o Governo «compreendeu que o país é maioritariamente católico». O social-democrata considerou que a tolerância de ponto se justifica por se tratar de «um acontecimento excecional».

Também o CDS, pela voz do deputado Filipe Anacoreta Correia, concordou com a decisão por reconhecer «a importância do Papa Francisco, da Igreja Católica em Portugal e que esta visita mexe com milhares de pessoas que vão deslocar-se a Fátima».