Politica

Rui Moreira: “Podemos precisar de uma ditadura”

Autarca portuense falava durante uma conferência numa universidade

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, afirmou esta quinta-feira que o modelo de voto existente hoje em dia em Portugal é “completamente anacrónico” e que o futuro poderá passar por três caminhos diferentes: um deles é o regresso da ditadura.

Rui Moreira, que é candidato a um segundo mandato com o apoio do PS, defendeu que o sistema de voto usado nos dias de hoje era “compreensível em 1974 ou 1975”, quando havia uma taxa de adesão de cerca de “70,75,80 por cento”, mas que esse modelo está ultrapassado e que nada tem sido feito para o alterar-

Durante a conferência ‘A Crise das Lideranças’, na Universidade Portucalense, o autarca afirmou que existem três caminhos que podem ser escolhidos para substituir o sistema vigente – um deles é a ditadura.

“Há um caminho óbvio, e é mais óbvio do que se parece, que é um dia nós voltarmos a ter ditaduras. Quando o Salazar chegou ao poder ele criou o nome ditadura nacional e não era nada insultuoso. É bom que se tenha isto como claro. Esta história de que a democracia é uma coisa infalível, que não termina, não é verdade. Vejam o que está a acontecer na Turquia (…) Para termos a nossa soberania económica, na segurança, podemos ter que precisar de ditaduras. Espero que não seja assim, mas pode suceder. Foi isso que aconteceu com o 28 de maio. Portugal estava falido, não havia ordem, não havia disciplina, a 1ª Guerra Mundial tinha sido um desastre e de repente o país quis aquilo. O 28 de maio não foi feito por uma minoria. Isso pode voltar a acontecer”, afirmou Rui Moreira, citado pelo site Porto 24.

O autarca sugeriu ainda outros caminhos: uma “aventura na democracia direta”, um sistema em que os cidadãos participam ativamente na tomada de decisões e que Rui Moreira acreditar ser mais perigoso do que a ditadura por se tornar numa “ditadura do momento”, ou uma reorganização dos partidos políticos – Noutros países, muitos partidos do pós-guerra desapareceram, mas em Portugal existem os mesmos há vários anos.