Politica

Porto. PSD quer encostar Rui Moreira ao PS

O PSD anima-se com o divórcio entre Rui Moreira e Manuel Pizarro e já desenhou uma estratégia à medida dos acontecimentos dos últimos dias

No PSD/Porto, ninguém duvida de que Rui Moreira provocou uma rutura com o PS depois de perceber que a sua base de apoio eleitoral estava no centro-direita e que um acordo com os socialistas estava a pô--la em causa. Por isso, os sociais--democratas querem que os portuenses tenham bem claro que “votar em Moreira é votar no PS”, mesmo com o acordo desfeito.

O facto de nem Rui Moreira nem o PS descartarem para já a hipótese de um acordo pós- -eleitoral que volte a pôr Manuel Pizarro na lista dos vereadores com pelouros dá gás a esta ideia.

“Votar Pizarro ou votar Moreira é a mesma coisa”, afirma ao i o líder da concelhia do PSD/ Porto, Miguel Seabra.

PSD diz que porto está pior

Álvaro Almeida, o independente que concorre pelo PSD, tem a mesma ideia. “Esta rutura é irrelevante. Não muda o facto de Rui Moreira e o PS terem sido aliados”, diz ao i o candidato à Câmara do Porto, que acha que o que afastou Moreira dos socialistas “foram questões acessórias” relacionadas com lugares nas listas. “Em termos de política para a cidade, Moreira e Pizarro são a mesma coisa.”

E o que é a mesma coisa? Na análise de Miguel Seabra, é um legado muito fraco. “Não há obra no Porto. O que há é uma Baixa com muito dinamismo, fruto do turismo”, nota o social- -democrata, que acha que, “se não fosse o turismo, o balanço ainda era mais arrasador.”

É que se nos últimos anos o Porto tem aparecido como uma cidade a renovar-se e a somar títulos turísticos, o PSD quer recordar aos portuenses que quem vive na Invicta não tem muito a agradecer à aliança Moreira/Pizarro.

“O Porto é a cidade da região que menos emprego criou e onde mais empresas fecharam”, vinca Miguel Seabra, que aponta “a perda de habitantes, o desleixo da via pública e o caos no trânsito” como outros calcanhares de Aquiles da gestão de Moreira que o PSD vai explorar na campanha.

Para já, e na sequência da rutura com o PS, os próximos de Rui Moreira aproveitaram para lembrar que contam no executivo com três vereadores do PSD que, até agora, nunca inviabilizaram um orçamento camarário.

Mais: há mesmo um vereador eleito nas listas do PSD, Ricardo Valente, que tem um pelouro no executivo camarário.

Traição no PSD

No PSD desvalorizam-se estas contas. “Ricardo Valente é um independente que foi uma escolha de Luís Filipe Menezes”, nota Miguel Seabra, que diz que “há dois anos que a concelhia retirou a confiança política a Amorim Pereira”, um dos três eleitos pelos sociais-democratas. Contas feitas pela concelhia, resta ao PSD “um vereador na Câmara do Porto, que é o Ricardo Almeida”.

Miguel Seabra não poupa mesmo nas críticas a Alberto Amorim Pereira, a quem acusa de ter “um histórico de traição com o partido”. Porquê? “Porque em 1989 fez um acordo com Fernando Gomes e traiu o partido.”

A menos de meio ano do final do mandato, a estrutura local do partido desvaloriza, assim, a importância de ter um PSD dentro da câmara e outro em campanha por Álvaro Almeida. “Para nós, não muda nada. Há três anos e meio que é assim”, frisa Miguel Seabra.

Certo é que o divórcio entre Rui Moreira e o PS veio animar as hostes sociais-democratas no Porto. “Os eleitores, agora, estão mais esclarecidos”, comenta o líder da distrital do PSD do Porto, Bragança Fernandes, que acha que a crise entre o independente e os socialistas “veio clarificar as águas” e pode reforçar as hipóteses de vitória do candidato social-democrata.

“Até agora, a opinião geral era a de que o PSD tinha perdido o Porto. Mas agora percebe-se que as geringonças só funcionam enquanto todas as partes têm algo a ganhar. Quando uma das partes percebe que perde estando dentro, a geringonça parte”, nota um social-democrata.

A tese é a de que Rui Moreira estaria a perder a sua base eleitoral de apoio ao firmar um acordo com os socialistas. “As pessoas da universidade, da burguesia portuense, da classe média que apoiavam Moreira estavam a afastar-se”, nota a mesma fonte.

A TESE DE MARCELO

Curiosamente, Marcelo Rebelo de Sousa fez no Porto declarações que pareciam assentar como uma luva na ideia de que a discórdia entre Rui Moreira e Manuel Pizarro era temporária e que podia vir a resolver-se com um acordo pós-eleitoral – como nenhum dos dois descarta.

“Acho que é impossível haver quebra de amizades no Porto. O que parece ser uma quebra num determinado momento rapidamente se converte num reencontro uns tempos depois. É a minha experiência relativamente ao Norte, como é a minha experiência relativamente ao Porto”, disse o Presidente da República no Porto.

No final, Marcelo tentou desfazer a ideia de que estava a falar de Moreira e Pizarro. “Não, eu referia-me aos meus amigos, aos amigos do Porto. Eu nunca me consigo zangar com os amigos do Porto”, assegurou, quando já todos liam as suas palavras como dirigidas a Moreira e ao PS.