Sociedade

Falhas em Pedrógão. Governo não acreditou no relatório do SIRESP

O Estado falhou. O governo duvida dos serviços do Estado e não acredita no relatório apresentado pelo SIRESP. Auditorias pedidas

Vão rolar cabeças? Ainda não se sabe. Mas sabe-se que o governo não ficou satisfeito com as explicações do SIRESP e da própria secretaria-geral da Administração Interna, na dependência do Ministério. Constança Urbano de Sousa, a ministra, ordenou auditorias às duas entidades.

Em resposta ao relatório em que o SIRESP se congratulava com o seu comportamento nos incêndios de Pedrógão, a ministra da Administração Interna pediu ao Instituto de Telecomunicações “um estudo independente” sobre o funcionamento do SIRESP, “considerando que se registaram dificuldades de comunicação reportadas pelos utilizadores do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal (SIRESP)”.

Depois de receber, na noite de segunda-feira, o relatório do SIRESP que – apesar de nos quadros que apresentou confirmar terem existido falhas no sistema – acaba contraditoriamente a concluir que tudo correu bem no sábado dos incêndios de Pedrógão Grande, Constança Urbano de Sousa fez imediatamente um despacho a determinar que a secretaria-geral da Administração Interna, “no âmbito das suas atribuições relativas aos sistemas de informação e de comunicação, solicite ao Instituto de Telecomunicações a elaboração de um estudo independente sobre o funcionamento do SIRESP em geral e em situações de acidente grave ou catástrofe em particular, identificando, do ponto de vista técnico, eventuais constrangimentos e propondo possíveis medidas que possam garantir que o SIRESP responda às necessidades para o qual foi criado, em linha com as melhores e mais recentes práticas internacionais nesta matéria”.

Também a secretaria-geral da Administração Interna é visada pela ministra. Constança Urbano de Sousa ordenou uma auditoria a este serviço na sua dependência, enquanto entidade gestora do SIRESP. Encarregou a Inspeção-Geral da Administração Interna de uma auditoria ao cumprimento, por parte da secretaria-geral da Administração Interna das “obrigações legal e contratualmente estabelecidas, designadamente ao nível da gestão, manutenção e fiscalização”.

PSD também não acredita no SIRESP

Fernando Negrão, deputado do PSD, não considera o relatório divulgado pelo SIRESP “credível”. Em declarações ao i, Fernando Negrão refere que as respostas da Autoridade Nacional de Proteção Civil “são contraditórias” com o relatório do SIRESP. “Nem o módulo local nem nacional funcionou”, diz Negrão, que hoje irá confrontar a ministra no Parlamento. Constança Urbano de Sousa vai ser ouvida na Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias a seguir ao debate quinzenal com o primeiro-ministro – onde a questão do incêndio de Pedrógão será inevitável. A Assembleia da República voltará a debater o caso na quinta-feira, já que o PSD agendou um debate potestativo (obrigatório) sobre o tema.

As mensagens perdidas

António Costa enviou uma mensagem escrita a Pedro Passos Coelho a convocá-lo para uma reunião informal sobre os incêndios de Pedrógão, tal como fez com os restantes líderes partidários. Todos os chefes dos partidos representados no parlamento reuniram com Costa, mas o PSD diz que não recebeu nenhum sms – e não participou em qualquer reunião com o governo.

Como explicar a impossibilidade de contacto entre o chefe do governo e o presidente do PSD? Ou alguém não falou verdade ou o SMS foi parar a outro lado por engano – acontece.