Economia

Anúncios de casas. Quanto melhor é o adjetivo mais cara é

Excelente, ampla e tranquila são os adjetivos mais usados para vender uma casa em Portugal. Mas estas características têm um preço e prepare- -se para abrir os cordões à bolsa se se deparar com um anúncio a promover um imóvel excelente, moderno ou único

Excelente, ampla e tranquila. São estes os adjetivos mais usados para vender uma casa em Portugal e também são aqueles que chamam mais a atenção a quem está à procura de um imóvel para comprar. Mas a lista não fica por aqui e o top-10 fica completo com outros termos: moderna, espaçosa, magnífica, luminosa, única, fantástica e de luxo. A verdade é que estas classificações têm um preço e, quanto maior e melhor, também maior será o preço a pagar.

A fórmula é simples: a venda de uma casa exige, além de um esforço para conhecer o mercado e um book fotográfico, uma boa descrição que pormenorize da melhor forma possível todas as características do imóvel. Um estudo realizado pelo portal idealista analisou os adjetivos mais usados e chegou à conclusão que estes também marcam os preços da habitação.

Mas vamos a números. As casas “excelentes” têm um preço médio de quase 305 mil euros, enquanto os anúncios que incluem a palavra “ampla” correspondem a preços que rondam os 294 mil euros. Já os anúncios a promover casas “tranquilas” apresentam um preço médio de 375 mil euros; as “modernas”, quase 593 mil euros; as “espaçosas”, cerca de 437 mil euros; e as “luminosas”, pouco mais de 443 mil (ver quadro ao lado).

No entanto, se formos subindo na classificação, também os preços disparam. As “únicas” são mais caras (quase 624 mil euros) do que as “magníficas” (mais de 514 mil euros), mas são mais baratas que as “de luxo” (quase 722 mil euros).

As conclusões do estudo não ficam por aqui. Em função do intervalo de preço a que se encontra à venda o imóvel, os adjetivos preferidos dos vendedores também variam. Nas casas mais exclusivas (com um preço superior a um milhão de euros), “privada” é o adjetivo mais utilizado, seguido por “excelente”, “ampla”, “moderna” e “única”. Nos intervalos de preços mais económicos (com um valor inferior aos 150 mil euros), os principais adjetivos são similares aos gerais, surgindo dois novos conceitos: “renovada” e “remodelada”.

Valores disparam em Portugal

A verdade é que os preços das casas não param de subir no mercado nacional e a tendência é para continuarem a aumentar. O valor médio do imobiliário em Portugal subiu 7,1% no ano passado, o que traduz um aumento de 6% dos preços do setor em cima de uma inflação geral da economia de 1,1%.

Estes dados mostram que esta subida de 7,1% é a quarta maior do euro, sendo apenas superada por Malta (9,2%), Letónia (8,8%) e Áustria (8,5%).

Os dados mostram que, após uma valorização de 15% nos últimos três anos, os preços já estão praticamente ao nível de 2008 (a 0,4% de distância), o ano em que se verificou o pico de preços desde o início do século.

E a tendência é para se manter este ritmo de crescimento, fazendo soar alarmes a quem está à procura de casa, uma vez que é confrontado com valores quase absurdos. A explicação para esse fenómeno é simples: há cada vez menos casas à venda e cada vez mais pessoas a querer adquirir um imóvel – portanto, a balança está desequilibrada. Resultado: os preços sobem.

Aliás, esta realidade está refletida nos dados do primeiro trimestre. Segundo a Confidencial Imobiliário (Ci), o preço das casas em Portugal subiu 6,2% face ao mesmo período do ano passado, e já não é apenas nas grandes cidades. Segundo os inquiridos deste estudo, os valores dos imóveis estão a começar a subir de forma generalizada em todo o país: “Este contexto pode impulsionar o desenvolvimento e o financiamento de novas casas, reduzindo assim o desajustamento entre a oferta e a procura. Mas tal vai demorar a acontecer”, explica Ricardo Guimarães, diretor da Ci.

Para os próximos 12 meses está previsto um aumento dos preços das casas em torno dos 4% a nível nacional. Já num prazo de cinco anos, espera-se um aumento médio de 5% ao ano.