Politica

Rui Moreira. Descartar ser presidente do FCP 'seria o mesmo que descartar a lotaria'

Não se zangou com Costa, de quem é amigo pessoal, mas admite ter causado preocupações políticas. Quer uma campanha ‘sem truques’

Quando Fidel Castro faleceu, dirigentes do PS/Porto enlutaram e dirigentes do CDS/Porto distanciaram-se desse luto. É só um exemplo. Mas como foi gerir apoios tão ideologicamente distantes?

Isso começou logo desde o início. Quando nos começámos a organizar para as eleições passadas, tínhamos pessoas desde a extrema-esquerda à direita, empenhadas. O que nos interessa é a visão da cidade. Não somos um partido, não temos uma visão unanimista destas questões. Tanto sobre isso como sobre o futebol temos opiniões diferentes. E é perfeitamente normal que num grupo de cidadãos haja visões mais díspares, sobre questões sociais, da ética e da política internacional.

Não foi difícil isolar a questão do Porto como cidade de tudo isso?

Se as pessoas estiveram concentradas num objetivo, não… Nós tínhamos anunciado objetivos muito claros e a solução para esse ‘problema’ passa por esse princípio. Dizer ao que vínhamos: uma base de trabalho em garantir as boas contas - que já vinham do dr. Rui Rio - e anunciámos a questão da cultura que é uma questão muito transversal, indo da esquerda à direita, juntando as pessoas. Foi na cultura que fizemos essa comunhão. 

É difícil conciliar a aposta na cultura com a saúde orçamental?

Nós demonstramos que era possível fazê-lo. É um mito que se criou à volta das governações, que não se pode ter boas contas com boa cultura.

Depois dessa transversalidade ideológica, é candidato e todos os partidos da esquerda (do PS ao PCP) têm um candidato contra si… 

… já tinham da última vez…

Certo, mas como é que procura manter uma boa relação com o seu eleitorado de esquerda estando sozinho contra ela? 

Porque muito do eleitorado que vota nas legislativas nesses partidos, quando começa a pensar no Porto seleciona o projeto com as propostas que querem para a cidade. 

E o que é que as pessoas querem para a cidade?

Querem encontrar alguém que lhes resolva os problemas, que os  identifique e não tenha medo deles, o que me parece perfeitamente razoável. Não perguntamos às pessoas que fazem parte das listas em quem votaram nas legislativas. Nunca me lembrei de perguntar se são de direita, se são de esquerda.

E o Rui Moreira é o quê? Já o li definir-se, ainda que reticentemente, como um ‘liberal de esquerda’, dando o exemplo de Sá Carneiro. 

Sim, é mais nessa linha de Francisco Sá Carneiro. Mas também, se quiser, aquilo que hoje defende o Professor Adriano Moreira. Sempre o considerei uma das personalidades mais interessantes do pós-25 de Abril, até pela relação que estabeleceu com o passado: pela noção que ele tinha que o país ia continuar depois do 25 de Abril, que não era um país novo, mas sim um país com soluções novas. É uma visão muito próxima da minha. 

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