Politica

A chefe de gabinete de Costa que manda mais do que os ministros

Rita Faden tem uma secretária própria na sala do Conselho de Ministros, em cujas reuniões participa

Rita Faden é a chefe de gabinete de António Costa. Temível. Há quem diga que o corrupio de assessores que saem de S. Bento é por causa dela. Até o cozinheiro já foi substituído. E não só.

Dez membros de gabinete e um cozinheiro. No espaço de um ano e meio em pleno exercício de funções, a equipa de António Costa no Palácio de São Bento já perdeu essa dezena de assessores e adjuntos, assim como uma perda individual gastronómica.

As exonerações estão no Diário da República e o problema não está no formato, mas na dimensão. «É muita gente em tão pouco tempo. Não é normal», avalia um antigo colaborador de um gabinete que precedeu Costa na governação do país.

É certo que a equipa do primeiro-ministro não foi imune a problemáticas internas que também afetaram o restante Executivo, até em pastas mais discretas do que a de quem tudo conduz: o primeiro-ministro. Das licenciaturas às viagens para os jogos do Euro, passando até pelo motivo menos polémica da aposentação.

Vítor Escária, que foi assessor económico de António Costa, foi exonerado em julho deste ano após ter sido constituído arguido no processo que também levou à perda dos três secretários de Estado do caso ‘Galpgate’. Costa perdia Rocha Andrade, Costa Oliveira e João Vasconcelos na praça pública, mas também Escária como assessor. O economista assistira ao Portugal-Áustria, precisamente um ano e um mês antes de saber que a investigação do Ministério Público também o incluía a ele.

No final no ano anterior, 2016, nova polémica no Governo dava baixa no gabinete do PM. Rui Roque, outro assessor mas para os Assuntos Regionais, abandonava o cargo após complicações burocráticas em torno da sua ausência de licenciatura.

Mas sobram oito membros – à exceção do cozinheiro, Ricardo Revez, oriundo da Marinha – e um deles diretor da comunicação do primeiro-ministro.

No verão que ainda decorre, o período mais tenso desde que Costa tomou posse,  saíram o assessor João Mateus, o assessor Bernardo de Lucena e o referido diretor de comunicação Mário Vicente. Antes, em 2016, já haviam saído os assessores Miguel Raimundo e Rui Pedro Roque, assim como os adjuntos José Oliveira Cálix e Alexandre Reis Leitão. Fernando Soto Almeida, assessor, saiu, mas para a reforma. Os restantes, por outro lado, contrariamente a jogos de futebol, licenciaturas ou aposentações, tiveram motivo distinto para a saída. E ele – aliás ela – tem um nome: Rita Faden.

 

A temível chefe de gabinete

Rita Faden da Silva Moreira Araújo é praticamente desconhecida dos holofotes da imprensa, embora apareça constantemente ao lado do primeiro-ministro. Ex-subdiretora dos Assuntos Europeus no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Faden é a chefe-de-gabinete – pelo menos do gabinete que sobra – de Costa. Mas é uma chefe-de-gabinete diferente.

«Os chefes-de-gabinete servem, habitualmente, para preencher a ausência de um primeiro-ministro. Ela não é isso. Ela é uma chefe-de-gabinete presente com o primeiro-ministro. Isso é estranho ou, no mínimo, novo», avalia fonte do Executivo socialista, que requisitou anonimato.

Rita Faden ganhou uma preponderância junto de António Costa e um poder dentro do Palácio de São Bento que causam até desconforto nos ministros. «Quando vão a Bruxelas, entra o primeiro-ministro, entra a chefe-de-gabinete e só depois entra o ministro ou o secretário de Estado. A inversão da hierarquia é óbvia», conta o mesmo, sabendo o SOL que a saída ‘surpresa’ da secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, esteve diretamente relacionada com uma quezília com Faden. E há mais. «Ela senta-se nas mesas de decisão de Bruxelas. Isso não é normal», diz a mesma fonte.

E, ao que o SOL apurou, a extensão dos lugares sentados também teve alargamento interno. «Mandaram pôr uma mesa só para ela no Conselho de Ministros. É uma chefe-de-gabinete que assiste e se senta na sala do Conselho de Ministros. Acha normal?», interroga-se fonte que igualmente requereu o anonimato.