Sociedade

Empresários ligados a casos de corrupção pediram vistos gold

Programa nacional sob suspeição

Empresários brasileiros associados ao caso Lava Jato e familiares do vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, acusado este ano em Portugal de corrupção, terão concorrido ao programa nacional de vistos gold. A lista de nomes foi divulgada pelo “Guardian” e pelo “Expresso”, com base numa fuga de informação idêntica à que denunciou o esquema de Chipre, que terá beneficiado investidores russos e ucranianos acusados de corrupção.

A nova lista inclui Otávio Azevedo, antigo presidente da Andrade Gutierrez. Em 2014, antes de ser condenado a uma sentença de 18 anos por corrupção, terá adquirido um imóvel de 1,4 milhões de euros em Lisboa, solicitando então um visto gold – um porta--voz do empresário disse que Azevedo não foi ainda informado sobre o estado da candidatura. Também Sérgio Lins Andrade, acionista da mesma empresa, adquiriu um imóvel em Lisboa por 665 mil euros. Pedro Novis, antigo presidente e CEO da Odebrecht, é outro nome na lista, que inclui os angolanos Sebastião Gaspar Martins, João Manuel Inglês e Pedro Sebastião Teta.

O i procurou uma reação do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sem sucesso. Ao “Guardian” e ao “Expresso”, o governo informou que o regime de vistos gold “segue estritamente todos os procedimentos de segurança legalmente estabelecidos”. No âmbito das candidaturas são avaliados os registos criminais e há “intercâmbio de informações no âmbito da cooperação policial”, informou ainda.

A Comissão Europeia anunciou já uma análise de todos os programas de “vistos gold” em vigor na UE, a publicar em 2017 ou em 2018. A eurodeputada Ana Gomes tem sido uma das vozes críticas. Alega que estes vistos fomentam a corrupção e ameaçam a integridade do sistema financeiro e a segurança de todos os cidadãos da UE.