Politica

Geringonça passa teste das eleições autárquicas

Socialistas esperam que segunda-feira seja um dia tranquilo. Já a pensar na próxima etapa: o orçamento para 2018.

António Costa vai votar logo pela manhã, por volta das 9h30, em Fontanelas, no concelho de Sintra, e da parte da tarde segue para Lisboa para assistir aos resultados eleitorais na sede nacional do PS, no Largo do Rato, a partir das 19 horas. Os socialistas não deixarão da fazer uma leitura nacional dos resultados com a convicção de que uma vitória pode ajudar na governação dos dois anos que faltam para cumprir a legislatura. «Não posso esconder que se as coisas correrem bem ao PS é um lenitivo para os próximos dois anos de Governo. Pode haver um reforço da legitimidade», diz ao SOL um elemento do secretariado nacional do PS. 

A estratégia foi não hostilizar, na campanha eleitoral, os comunistas e o BE, para que, no dia a seguir às autárquicas, a ‘geringonça’ possa seguir o seu caminho sem ressentimentos. «OPS vai ganhar as suas câmaras. OBloco poderá sair reforçado em termos de votação global. Não acredito que possa existir alguma consequência [para o Governo] pós eleitoral desta disputa», afirma este dirigente socialista. A próxima etapa da ‘geringonça’ é aprovar o Orçamento do Estado para 2018, que deverá ser apresentado no dia 13 de outubro, mas «está tudo bem encaminhado». 

Jerónimo de Sousa, que vai votar às 11 da manhã em Pires Coxe, Santa Iria da Azóia, vai passar a noite eleitoral no Centro de Trabalho Vitória, na Avenida Liberdade, em Lisboa. Os comunistas têm a expectativa de aumentar a influência no poder local para ganhar mais peso nas negociações com o PS. 

A coordenadora do BE, Catarina Martins, vai votar em Vila Nova de Gaia às 10h30, mas vai acompanhar a divulgação dos resultados eleitorais na biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa. 
O Bloco quer repetir os bons resultados das legislativas e presidenciais. Os bloquistas não têm nenhum presidente de câmara e a esse nível a aposta volta a ser  em Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém. Ana Cristina Ribeiro, que há quatro anos estava impedida de se candidatar devido à limitação de mandatos, volta agora à liça. 

Assunção Cristas acorda cedo e é a primeira a votar 

À direita, Passos Coelho e Assunção Cristas vão passar a noite eleitoral nas respectivas sedes nacionais. 
A presidente do CDS e candidata à Câmara de Lisboa é a primeira a votar e vai fazê-lo como habitualmente na escola secundária do Restelo. 

Pedro Passos Coelho vai votar por volta das 11 horas em Massamá. Da parte da tarde desloca-se para Lisboa – uma viagem que normalmente demora 21 minutos –, a tempo de estar na sede do partido, na Lapa, às sete da tarde, hora a que fecham as urnas no continente. 

As primeiras sondagens em dia de jogo entre Sporting e FCPorto serão às oito da noite.

Alguns concelhos com abstenção superior a 60%

É no PSD que o resultado destas eleições autárquicas poderá ter efeitos mais complicados. Passos Coelho tem resistido e já garantiu que está para ficar á frente do partido, mas um mau resultado não deixará de ser visto pelos opositores internos como uma oportunidade para mudar de líder (ver texto na página 16). 

Para estas eleições autárquicas estão inscritos menos eleitores do que há quatro anos. Ao todo, os eleitores que podem votar são 9.412.461. Nas últimas eleições estavam inscritos cerca de 9,5 milhões, mas votaram menos de cinco milhões. A abstenção rondou os 48%. 

Oeiras, Cascais, Almada, Seixal, Setúbal, Moita e Montijo foram dos concelhos que registaram os maiores níveis de abstenção. Em Cascais, por exemplo, votaram menos de 38% dos eleitores. Sesimbra foi o concelho em que menos eleitores votaram. Dos cerca de 41 mil inscritos foram às urnas pouco mais de 15 mil eleitores. 

O Presidente da República fez, esta semana, uma apelo aos portugueses para que não fiquem em casa nestas eleições. «É importante que não haja uma subida da abstenção porque a subida da abstenção significa desinteresse».

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o voto é uma «arma poderosíssima» que os portugueses não devem deitar fora. «Desinteresse em eleições que tocam naquilo que é o mais próximo que há na vida das pessoas para mim é incompreensível, não faz sentido», afirmou o chefe de Estado, na quinta-feira, no final de uma homenagem a Medina Carreira.