Sociedade

Adolfo Mesquita Nunes assume homossexualidade

O vice-presidente do CDS garante que já tinha falado sobre o tema num discurso, que passou ao lado dos jornalistas presentes

A questão surgiu pela primeira vez durante a campanha eleitoral do ano passado. "Em junho, escreveram 'gay' num cartaz meu que estava num cruzamento muito movimentado. (...) Pedi que não o substituíssem porque não era mentira”. As declarações são de Adolfo Mesquita Nunes, o primeiro alto dirigente de um partido português a falar publicamente sobre a sua homossexualidade.

Numa entrevista de vida dada ao semanário Expresso, o vice-presidente do CDS explica que nunca se arrependeu da decisão de não mandar retirar o cartaz. “Se alguém da minha equipa achasse que isto era um problema, que saísse. Ninguém saiu. E o cartaz lá ficou quatro meses”, refere.

Adolfo Mesquita Nunes salienta que assumir perante a opinião pública a sua homossexualidade é, mais do que um statement político, não esconder quem é. Lembra ainda que chegou a referir o episódio do cartaz durante um discurso, que até publicou no Facebook.  "Não supus que os jornalistas não estivessem a prestar atenção e que só noticiassem o que a Assunção disse", comenta.

A 22 de agosto do ano passado, Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, numa entrevista ao DN, havia assumido a sua homossexualidade. “Acho que se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia. E se as pessoas perceberem que há um seu semelhante, que não odeiam, que é homossexual, isso pode fazer que a forma como olham para isso seja por um lado menos não querer saber se essas pessoas são perseguidas, por outro lado até defender que assim não seja".

Hoje, Graça Fonseca já reagiu através do Facebook: “A entrevista do Adolfo é extraordinariamente importante. Para o país, sim. (…) O que lhes importa é existirem outras pessoas que dizem, alto e bom som, que são como elas. Porque quando essas outras pessoas falam algo muda. O que dizem ajuda a “normalizar” o que muitos continuam a classificar de “anormalidade”. Do médico mais prestigiado ao anónimo das caixas de comentários dos jornais online”.