Viver para Contar

O Dia do Homem

As mulheres podem dizer o pior dos homens – mas ai do homem que aponte o dedo às mulheres. Nesta questão, não há qualquer espécie de igualdade ou reciprocidade

O Dia Internacional da Mulher foi, antes de tudo, um Dia Contra o Homem. A maior parte das declarações ouvidas nos media punham os homens pelas ruas da amargura: são desarrumados, não ajudam nada em casa, assediam sexualmente as mulheres, violam-nas, tratam mal as companheiras, às vezes até as matam. 

E, facto curioso, muitos homens participaram alegremente neste coro. 

Admito que todas as acusações sejam verdadeiras (pelo menos, os crimes chamados ‘passionais’ são uma praga terrível). Mas a questão é outra: se uma mulher disser mal dos homens, é corajosa e insubmissa; mas se um homem disser mal das mulheres, é machista e retrógrado. 

As mulheres podem dizer o pior dos homens – mas ai do homem que aponte o dedo às mulheres. Nesta questão, não há qualquer espécie de igualdade ou reciprocidade.

Perante estes ataques, julgo que se imporia criar o Dia Internacional do Homem, para os homens poderem replicar. Não digo que respondessem ao mesmo nível – mas, pelo menos, poderiam defender-se.

Falando mais a sério, acho que estes ‘dias’ disto e daquilo são uma tontice. E neles dizem-se muitos disparates. Para lá das acusações aos homens, o que mais se ouviu no Dia da Mulher foi que deveria haver no trabalho e em casa total igualdade entre homens e mulheres. Ora, isso é obviamente uma patetice. Porque parte do princípio de que homens e mulheres são exatamente iguais – o que não é verdade. Mulheres e homens são diferentes. Ninguém está a ver uma mulher, por exemplo, trabalhar como servente de pedreiro. 

E em casa passa-se o mesmo. As relações que os filhos estabelecem com os pais e com as mães não são as mesmas, pelo que não é indiferente estarem com um ou com outro. Os pais não podem engravidar nem dar de mamar aos filhos – e isso cria logo à partida laços e ligações distintos.

Tudo isto é evidente.  É evidente que há tarefas na sociedade para que os homens estão mais vocacionados – e outras para que estão mais vocacionadas as mulheres. E o mesmo acontece nas tarefas caseiras. Assim, não faz sentido dizer que todos devem fazer as mesmas coisas. Aliás, nos casais, esta ideia conduz a disputas frequentes, que criam mau ambiente em casa. Aqui, o princípio mais correto é a divisão de tarefas: as mulheres fazerem umas, os homens outras, mas cada um saber exatamente o seu lugar e não haver discussões constantes sobre ‘quem faz o quê’. Em minha casa sempre foi assim e resultou.

O problema da igualdade entre homens e mulheres está quase sempre mal colocado. A questão não é homens e mulheres serem iguais, como pretendem as feministas; a questão é que, sendo diferentes, devem ter exatamente os mesmos direitos e oportunidades. Este é o ponto.

Assim, em vez de a luta das mulheres se dirigir contra os homens, deveria ter outros alvos. Portugal é dos países (ou o país) da União Europeia onde as mulheres trabalham mais horas fora de casa. Ora isto é um tremendo handicap. Para poderem encarar com tranquilidade a gravidez, para poderem encarar com tranquilidade o período pós-parto, as mulheres deveriam ter condições especiais e trabalhar menos em certos períodos da vida. Ter horários aligeirados. 
Por outro lado, as grandes organizações, as grandes empresas e os grandes grupos deveriam ser estimulados a ter creches junto dos locais de trabalho, não obrigando as mães a esgotantes correrias de casa para a creche, da creche para o emprego, do emprego para a creche, da creche para casa. A existência de creches daria ainda oportunidade às jovens mães para estarem mais perto dos bebés, verem-nos durante o dia e até amamentarem-nos.

Este tipo de facilidades, que  nem será muito difícil pôr em prática, facilitaria imenso a vida aos jovens casais – e, em particular às jovens mães, que estão mais ligadas aos filhos nos primeiros tempos. Claro que, para quem considera a maternidade uma ‘escravidão’, como algumas feministas, e defende que as mulheres devem resistir a ter filhos, tudo isto é desnecessário.

Para finalizar, direi que é óbvio que os patrões têm de tratar os homens e as mulheres igualmente, levando em conta as suas diferentes características. E que os homens devem respeitar as companheiras e colaborar nas tarefas caseiras. Mas querer que todos façam o mesmo é uma tolice. E há facilidades que a sociedade poderia oferecer e que tornariam muito mais fácil a vida dos casais.

Mas nisto não se falou no Dia da Mulher. Quase só se falou dos defeitos dos homens.