Cultura

Ferreri, Nico e um pouco de Sicília, que Itália é mesmo aqui

A partir de amanhã regressa a Lisboa e ao Porto - para se estender depois a outras cidades - mais uma edição de Festa do Cinema Italiano. Autor em retrospetiva será desta vez Marco Ferreri. Com “Adeus Macho”, “A Grande Farra” ou “A Carne” a encabeçarem uma lista para encher duas mãos da melhor subversão. Além dele, também “Nico,” no aclamado biopic de Susanna Nicchiarelli, ou ainda cinco títulos que apontam o caminho do novo cinema italiano

Sicilian Ghost Story

Para a abertura da 11.ª Festa do Cinema Italiano, quiseram os programadores um filme a “enfrentar a realidade”, explica Stefano Savio, diretor do festival. Da dupla Antonio Piazza e Fabio Grassadonia, “O Fantasma da Sicília” abriu a Semana da Crítica na última edição do Festival de Cannes. Um conto fantástico a partir da história de amor entre dois adolescentes a trazer de volta uma das histórias da máfia que mais chocaram a Itália na década de 1990.

Amanhã, às 21h30, no Cinema São Jorge (Lisboa) e no Cinema Trindade (Porto)

Adeus Macho

E será este apenas um dos 12 títulos do subversivo Marco Ferreri, realizador italiano desaparecido há 21 anos a quem, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, a Festa do Cinema Italiano presta este ano a sua homenagem, na secção Amacord, dedicada aos grandes clássicos italianos. Humor negro e crítica social em doses mais certas do que desmesuradas. 

19 de abril, às 18h30, na Cinemateca; repete a 23 de abril

Nico, 1988

Depois de Veneza, onde venceu a secção Horizontes, podemos ver agora finalmente o filme em que Susanna Nicchiarelli retrata Nico, icónico rosto dos Velvet Underground, no último ano da sua vida - último daquela velha Europa também. Eis “Nico, 1988”.

quinta-feira, às 21h30, no São Jorge (Lisboa) e no Trindade (Porto); repete sexta-feira, no Auditório Fernando Lopes Graça (Almada) e no Cinema Charlot (Setúbal)

Ammore e Malavita

Diz-se deste filme de Antonio e Marco Manetti ser uma espécie de “La La Land” à italiana. Uma boa dose de realidade então para este musical à prova de balas que, inspirados em Grease, assim dizem, os irmãos Manetti nos levam até ao submundo da Camorra, a máfia napolitana. Exibido aqui em antestreia, o filme estará depois em sala a partir de 12 de abril.

Sexta-feira, às 21h30, no Cinema São Jorge (Lisboa)

Nome Di Donna

De Marco Tullio Giordana, realizador de “A Melhor Juventude” (2003), que estará em Lisboa a apresentar este seu mais recente filme, protagonizado por Cristiana Capotondi para Nina. Uma mulher que se muda com a filha de Milão para uma aldeia na Lombardia, para uma das histórias em torno de um dos temas que marcaram a agenda no mundo do espetáculo: o assédio no trabalho. 

Domingo, às 21h30, no Cinema São Jorge (Lisboa)

La Guerra Dei Cafoni

Um dos cinco filmes selecionados para a secção competitiva desta edição, a celebrar o novo cinema italiano, que tem encontrado em Portugal o seu segundo maior mercado fora de portas, depois do francês. Em “La Guerra Dei Cafoni”, Davide Barletti e Lorenzo Conte levam-nos até Torrematta, em 1975. Palco de batalha de todos os verões em que naquele se fará a revolta dos miúdos da terra, os camponeses, contra os miúdos ricos que chegam para o verão. 

Sexta-feira, às 19h00, no Cinema São Jorge (Lisboa); repete segunda-feira, à mesma hora e no mesmo local

O Carteiro de Pablo Neruda

A partir do livro “Il Postino”, de Antonio Skármeta, regresso do filme de 1994 que retrata a amizade entre Pablo Neruda e um jovem carteiro para duas das noites mais cobiçadas da Festa do Cinema Italiano. No Mercado de Santa Clara, já se adivinha, para o já mais que conhecido Cine-Jantar em que a cada edição vem a gastronomia italiana juntar-se ao cinema.

8 e 9 de abril, às 19h00, no Mercado de Santa Clara (Lisboa)

Cinema Paraíso

Porque a revisita ao cinema italiano de outro tempo não se faz só com um nome em retrospetiva - este ano, Marco Ferreri - o festival dará ao público a oportunidade de rever obras como “Cinema Paraíso”, filme de Giuseppe Tornatore de 1988, aqui em cópia restaurada, a propósito dos seus 30 anos. O filme ficará depois em exibição em sala.

quinta-feira, às 21h30, no UCI El Corte Inglés (Lisboa) e no Cinema da Villa (Cascais)

Fame

De Giacomo Abbruzzese e Angelo Milano, um documentário rodado em Grottaglie, na Apúlia, durante o Fame, justamente. Um festival de arte urbana que entre 2008 e 2012 ali juntou artistas como Blu, Conor Harrington, Erica il Cane, OSGEMEOS ou Vhils, para a transformar aquela pequena aldeia na capital italiana da street art. A sessão é seguida de uma conversa com Milano que, além de realizador, esteve à frente do festival.

sábado, às 16h00, no Cinema São Jorge

The Place

A fechar mais esta Festa do Cinema Italiano, vem o último filme de Paolo Genovese (o mesmo de “Amigos, Amigos, Telemóveis à Parte”) apelar ao grande público para nos questionar sobre até onde estamos dispostos a ir em nome da concretização dos nossos sonhos. 

12 de abril, às 21h30, no Cinema São Jorge (Lisboa), no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) e no Auditório Soror Mariana (Évora); última exibição a 2 de maio, no Pax Júlia Teatro Municipal (Beja)