Cultura

Serralves celebrou 15 anos de “cultura ao mais alto nível”

O Presidente da República ajudou a cantar os Parabéns e participou na festa que só hoje termina, e que conta com 50 horas consecutivas de espectáculos e actividades

“Muitos anos de vida...”, era o desejo e todos o cantavam este sábado, na Clareira das Bétulas. Ao microfone, o grande mestre de cerimónias, Marcelo Rebelo de Sousa, que uma vez mais não mostrou complexos em assumir-se como uma das principais atracções do programa da 15.ª edição do “Serralves em Festa”. De tudo o que lhe pediram, só não aceitou quando um dos visitantes se lembrou de lhe vir com uma francesinha. De resto, houve beijinhos e abraços, tanto para os visitantes nacionais como estrangeiros. E nem lhe faltou a paciência para as selfies, e prevê-se mesmo que, até ao final do mandato presidencial, não haja família portuguesa sem uma foto com Marcelo sobre a lareira. Aos jornalistas, disse ser um “noctívago”, e que fosse qual fosse a agenda, seria sempre bom ver o dia terminar em Serraves.
Como um casamento cigano, as celebrações estenderam-se de sexta até ontem, contando com 50 horas consecutivas de espectáculos e actividades, sob o lema “Transpor fronteiras”. E Marcelo esteve firme no segundo dia,  entre as 20h30 e as 23h30. Teceu os maiores elogios no aniversário da instituição, afirmando que “Serralves significa excelência, significa qualidade, significa que realmente a cultura ao mais alto nível está e deve estar descentralizada e que o Porto é realmente um centro natural de cultura”.
E tudo foi gratuito, todos os eventos de cultura contemporânea, num esforço para estar ao nível ou, até, superar os 220 mil visitantes que marcaram presença na edição do ano passado. “Serralvez em Festa” tem vindo, deste modo, a consolidar um tipo de oferta avassaladora. Era preciso que o país inteiro tivesse a energia do Presidente da República, e mesmo aí, ainda que desse para ir dormitando entre actuações como “Romeu e Julieta, uma excelente e lamentável sobremesa”, do Teatro Praga, com que a noite encerrou, mesmo assim seria difícil aguentar as 50 horas consecutivas.
Neste modelo da cultura-farta-brutos, houve margem para as iniciativas mais diversas, entre a música e a dança, passando pela ‘performance’, circo contemporâneo, teatro e fotografia. Além de se poder ver as exposições actualmente patentes em Serralves, como a Coleção Sonnabend: meio século de arte europeia e americana, part II, mereceu destaque o o espetáculo da companhia francesa de circo contemporâneo Inextremiste – em que seis loucos em camisas-de-forças a tentar fugir dali, como se de um hospital psiquiátrico se tratasse, e isto com recurso a um balão de ar quente – e ao projecto “A Carnatic Paradigm/The Algebra of Listening”, do artista musical britânico Mark Fell, ou, no Bosque das Faias,  a instalação participativa batizada de Els Recicloperats.