Politica

‘Há muitos deputados que vão às corridas’

Presidente da Prótoiro garante que os apoios do Estado são «insignificantes» e que a tauromaquia não está dependente de subsídios para viver 

Alguns políticos têm receio em assumir que gostam de touradas. Passou a ser politicamente incorreto ir a um espetáculo com estas características? 

Na ultima corrida do ano passado estiveram quase 25 deputados no Campo Pequeno. Dos vários partidos. As pessoas não têm de vir gritar para a rua que são aficionados. Quantos deputados já se assumiram como antitaurinos? Existem quatro ou cinco. As pessoas também não andam a gritar na rua que gostam de praia e não se pode olhar para a tauromaquia como uma coisa excecional. Nós temos muitos deputados que vão às corridas. 

Também é verdade que não é fácil eleger um deputado e o PAN conseguiu. 

Isso revela que temos uma sociedade cada vez mais extremada. O PAN capitaliza uma dimensão de ódio e de crise no sistema democrático. É preciso desmascarar a realidade do PAN e isso está por fazer. Falta perguntar muita coisa ao PAN. O PAN tem muitas medidas de ódio e de preconceito que atacam os direitos e liberdades. 

Os partidos que são contra as touradas acham que, mais cedo ou mais tarde, este espetáculo vai desaparecer, porque está ultrapassado. Há muita gente nova a entrar para toureiro ou forcado?

Esses partidos dizem que a tauromaquia é uma realidade decadente. Para eles a tauromaquia está a acabar há 500 anos. Está sempre a acabar. Posso dizer-lhe que nunca houve tantos forcados no ativo na história da tauromaquia. Existem hoje cerca de 50 grupos de forcados e de 1500 forcados no ativo. Estamos a falar de jovens adultos. Nunca houve, por exemplo, tantas mulheres praticantes de tauromaquia. Mesmo no tempo do Estado Novo, em que havia um conjunto de pressupostos muito ortodoxos na sociedade, a tauromaquia foi das poucas atividade onde as mulheres sempre intervieram. Há sempre aquela ideia de que a tauromaquia é uma coisa salazarista. Isso é absurdo. Já passou pela monarquia, república, ditadura e democracia e nunca mudou.  

As pessoas de direita gostam mais deste tipo de espetáculo? 

Há um conjunto de preconceitos e de mitos. Mais uma vez convido as pessoas a ir às praças. Quando virem o povo que enche as praças vão perceber. 

Julga que os deputados voltarão a rejeitar a proibição das touradas? 

Não acreditamos que outra coisa seja possível. O acesso à cultura é uma obrigação do Estado e proibir práticas culturais está fora do alcance legal de qualquer agente político.

Mas podem conseguir acabar com os apoios do Estado. Há dois diplomas nesse sentido... 

Não existem quaisquer tipos de apoios da parte do Estado central. Não há, mas deveria haver. As outras áreas culturais, que são tuteladas pelo Ministério da Cultura, são apoiadas. Há cultura de primeiro nível e de segundo nível? 

As autarquias apoiam...

São os únicos apoios que existem e são insignificantes. São apoios locais de fomento às atividades culturais e o valor é irrisório.

A tauromaquia consegue viver sem esses subsídios?

Se não conseguisse já não existia. Não vive porque uma câmara dá mil euros para apoiar o seguro dos forcados. 

Faria sentido um referendo para decidir se os portugueses querem ou não as touradas? 

Os direitos culturais e a liberdade dos cidadãos não são referendáveis. Um Estado democrático é aquele onde se vive a diversidade e a divergência. Usar a democracia para proibir os outros não é democracia.