Opiniao

Olhar para a deficiência

Celebrou-se no passado dia 3 de dezembro o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que teve em Portugal uma atenção inusitada, sobretudo porque o ‘omnipresente Marcelo’ veio trazer o foco dos media para esta realidade. Entre os tantos dias internacionais disto e daquilo – quantos deles sem qualquer interesse mas com muito mediatismo – entendo que este Dia ora celebrado merece todas as atenções.

O tema sempre me tocou particularmente, tendo eu nos últimos 10 anos participado com orgulho nos órgãos sociais do Special Olympics Portugal, entidade pertencente ao Comité Olímpico Português. 

Tal como muitas das instituições vocacionadas para a inclusão social destes desfavorecidos, o Special Olympics (não confundir com ‘Paralímpicos’) foca-se no desenvolvimento desportivo de pessoas com deficiência intelectual. Abrange, em particular, futebol, ski, equitação, atletismo, basquetebol,  golfe e natação. Tem cerca de 220 atletas, cobrindo atualmente 18 distritos do nosso país. 

Este grupo, praticamente desconhecido em Portugal, é responsável por trazer dezenas de medalhas em competições internacionais e trabalha como as formiguinhas: no anonimato ou quase e por paixão a uma causa. 

Em 2019 irão decorrer em Abu Dhabi os jogos mundiais – e certamente lá irão os nossos atletas representar o país com o mesmo garbo que tantos outros em tantas outras modalidades, pese embora todas as diferenças. Mas uma coisa eu garanto: as alegrias que os jovens têm ao participar com a ‘nossa’ camisola nacional é tanta que comove sempre quem os acompanha.

Regresso ao tema do Dia Internacional ao qual não pude assistir mas do qual recebi um ‘relatório’ bem completo que me permite dizer que ‘assisti a tudo’. Começo pelo Telejornal da manhã, onde ouvi uma bela entrevista da secretária de Estado Ana Sofia Antunes – que, falando sobre o Dia, me ‘encheu a alma’. 

Sobre as cerimónias realizadas em Odivelas, regozijou-me saber que teve debates vivos em vários painéis, cujas ideias-força foram:

– Abandonar os conceitos do ‘coitadinho’ ou do ‘super-herói’ na apreciação do deficiente; 

– Reforçar o papel dos pais e dos educadores. O testemunho do atleta Lenine Cunha (quase 200 medalhas internacionais) foi neste sentido: os pais nunca desistiram dele e, permanentemente, foram criando condições para que as suas capacidades competitivas surgissem e pudessem ser aproveitadas;

– Aferir o impacto das acessibilidades. Ana Sofia Antunes falou dos pilaretes que se multiplicam pelas cidades para impedir que os carros estacionem nos passeios, mas que criam tremendas dificuldades às pessoas com deficiência visual. E eu acrescento as trotinetas elétricas. Este tema é ainda importante no turismo, merecendo destaque da respetiva secretária de Estado, Ana Mendes Godinho; 

– Avaliar o impacto do ‘momento da deficiência’ sobre o indivíduo e a forma como a sociedade o aceita. Enquanto Ana Sofia Antunes nasceu invisual, uma vereadora da Câmara de Vila Franca de Xira, Manuela Ralha, ficou paraplégica como consequência de um acidente. Uma cresceu com a deficiência, a outra teve de aprender a viver com ela, depois de um período de vida sem esse problema.

Termino agradecendo a Marcelo ter aparecido com uma intervenção essencial, chamando a atenção do muito que há a fazer e a responsabilidade de todos, do Estado e também da sociedade, que apenas desperta quando o tema lhe entra pela porta dentro. 

P.S. 1 – No último SOL foi abordado um tema de cães vadios em Aveiro. Mas em Cascais há casos idênticos. No dia 24 de novembro, perto da Praia do Abano, pessoa amiga foi  ‘triturada’, com um dos seus cães, por uma matilha faminta de 4 cães, ao que parece de um bando com 16. A GNR sabe do assunto e regista a ocorrência. Moradores perto referem que o problema tem 4 anos. Assim, ou alguém atua ou Cascais ainda assistirá a assassínios praticados por cães vadios.

P.S. 2 – Quando a dívida pública atinge 251,1 mil milhões de euros em outubro de 2018, ficamos a saber do reembolso antecipado ao FMI, agora aprovado (suponho que no total de 4,7 mil milhões euros), estimando-se que a dívida pública fique em cerca de 121% do PIB no fim do ano (abençoado crescimento!). Nem percebo por que o Eurogrupo se preocupa tanto com Portugal, e há tantos alertas sobre o défice estrutural e o aumento da despesa. Afinal, temos a sorte única de o ministro Centeno poder tranquilizar o presidente do Eurogrupo Centeno!

P.S. 3 – Na AR não há um ‘carro-vassoura’ para levar aqueles que envergonham quem neles vota, com comportamentos ao arrepio dos mais elementares valores éticos?