Economia

Autoeuropa. Carros já começaram a ser escoados do Porto de Setúbal

Empresa pretende exportar, até ao final do ano, os cerca de 22 mil veículos que estão prontos e parados na base do Montijo. Plano só avançou depois do acordo assinado com os estivadores na sexta-feira. 

O primeiro navio com os carros da Autoeuropa começaram a ser carregados este domingo no Porto de Setúbal. Os carregamentos estão a ser feitos à pressão já que a ideia é, até ao final do ano, exportar as cerca de 22 mil viaturas parqueadas na Base Aérea do Montijo – no âmbito de um acordo entre a empresa e a Força Aérea Portuguesa – que foram sendo acumuladas durante a paralisação dos estivadores. Para cumprir este objetivo, a Volkswagen vai aumentar o fluxo do cargueiros que fazem o transporte dos veículos.

“É provável que até ao final do ano seja possível assegurar o transporte das 22 mil viaturas, que representam cerca de 300 milhões de euros, e que têm um grande impacto tanto para a Autoeuropa como para as exportações portuguesas”, revelou o gerente da Operestiva.

Com o fim da greve dos estivadores e o início dos trabalhos de transporte dos automóveis, a Autoeuropa quer manter a produção diária de 885 carros na próxima semana. A partir daí, a fábrica de Palmela volta a parar durante 11 dias por falta de peças para os carros a gasolina – a partir do turno da tarde do dia 22 deste mês até ao início do turno da noite de 4 de janeiro. A empresa já tinha admitido que estas paragens se devem à dificuldade de alguns fornecedores em responderem a um maior volume de encomendas de motores a gasolina, situação que afeta várias fábricas do grupo Volkswagen e não apenas a fábrica de Palmela.

Ainda assim, tal como o SOL avançou, a meta de produzir 250 mil veículos - a maioria dos quais o modelo T-Roc - até ao final do ano está comprometida. Até agora foram produzidos cerca de 200 mil e, como tal, será quase “missão impossível” produzir as 50 mil unidades em uma semana.

Acordo chega depois de muito impasse

O governo, os operadores portuários e os sindicatos chegaram a acordo na sexta-feira, pondo fim ao conflito com os estivadores precários de Setúbal, que recusavam apresentar-se ao trabalho desde o dia 5 de novembro. Foi acordado a passagem imediata a efetivos de 56 trabalhadores precários (mais 10 a 37 numa segunda fase) e o levantamento de todas as formas de luta, incluindo a greve ao trabalho extraordinário.

Ao mesmo tempo, ficou garantido que iria ser dada prioridade na atribuição de trabalho aos atuais trabalhadores eventuais que não sejam integrados nos quadros dos operadores portuários, face a outros que ainda não estejam a laborar no Porto de Setúbal.

Este acordo foi assinado poucas horas depois do ultimato da Volkswagen: ou havia um acordo que permitisse retomar o escoamento da produção da Autoeuropa no espaço de 24 horas ou os alemães deixariam de fornecer motores à fábrica de Palmela, que assim entraria em paragem forçada por tempo indeterminado. 

De acordo com a ministra do Mar, foi possível atingir dois grandes objetivos que tinham sido fixados nesta negociação: a eliminação da “precariedade incompreensível e com conceitos ultrapassados que existia” e, por outro lado, retomar a rota de crescimento do Porto de Setúbal e da economia nacional. “É uma solução em que todos ganham”, disse Ana Paula Vitorino.

Ainda assim foi insuficiente para resolver o problemas dos outros portos já que a greve às horas extraordinárias mantém-se com exceção de Setúbal. “Ninguém está esquecido e há outros processos a decorrer”, disse o presidente do SEAL, António Mariano, mas lembra que “há questões por resolver para que a breve prazo acabem também nos outros portos”, nomeadamente no Caniçal, Leixões e Lisboa, onde se mantém a greve às horas extraordinárias (desde 13 de agosto).