Politica

César volta a pedir em surdina maioria absoluta

Presidente dos socialistas aproveitou congresso da JS para apelar à mobilização dos militantes para "dar mais força ao PS" e para que se consiga "uma grande vitória" nas próximas eleições

O presidente do PS, Carlos César, aproveitou o encerramento do congresso que elegeu Maria Begonha como líder da Juventude Socialista - que decorreu em Almada durante o fim de semana - para mobilizar os jovens militantes e apelar ao voto nas legislativas do próximo ano, com um pedido velado à maioria absoluta.

Apesar de voltar a piscar o olho à solução governativa em curso, Carlos César apelou à mobilização dos socialistas para que o partido consiga “uma grande vitória” que “necessita” para “o reforço da sua implantação eleitoral no país” avisando que é a “dar mais força ao PS” que se consegue “melhorar a vida dos portugueses”. Este pedido em surdina à maioria absoluta tem sido, aliás, o discurso transversal dos socialistas.  

Durante o seu discurso o presidente do PS disse ainda estar confiante nos resultados eleitorais avisando, desde já, que o partido não se vai deixar “anestesiar pelas sondagens”.   

Além disso, Carlos César - que diz estar confiante nos resultados eleitorais - frisou que o PS não tem menos ambição do que os parceiros de coligação. “Temos consciência de que os nossos aliados - PCP, BE e PEV - ao longo desta legislatura, deram um contributo” para “todos os progressos que alcançámos”. Mas, continua, “há uma coisa que é preciso que se diga: nem o BE, nem o PCP nem o PEV têm mais ambição do que o PS e Juventude Socialista”

Com as três eleições no próximo ano - regionas da Madeira, europeias e legislativas - no horizonte, o presidente dos socialistas aproveitou ainda para elencar as medidas adotadas pelo governo lembrando que os jovens foram os “mais penalizados” pelo anterior Executivo do PSD/CDS. “São incontáveis os milhares de jovens que tiveram de ir buscar noutras paragens a sua qualificação ou um emprego condizente com as suas aspirações e a sua vocação”, recordou Carlos César. E é por isso, acrescentou ainda o presidente do PS,  que António Costa tem “como prioridade a concessão de incentivos para fazer regressar aqueles que foram compelidos a partir” mas que “desejam voltar a dar o seu contributo ao país”.  

Tradicionalmente o congresso da JS é encerrado pelo secretário-geral, mas António Costa esteve ausente por estar no Afeganistão com os militares portugueses. Ainda assim o primeiro ministro deixou aos jovens militantes um vídeo com uma mensagem onde destacou os avanços feitos pelo governo nas políticas de juventude e educação.  

Defesa de Pedro Nuno Santos 

O XXI da JS elegeu ontem Maria Begonha como a 13.º secretária-geral, sendo a terceira mulher à frente da estrutura. A assessora política de Duarte Cordeiro na Câmara de Lisboa era a única candidata e contou com 73% dos votos - 165 votos a favor, 47 brancos e 16 nulos - sucedendo a Ivan Gonçalves. 

O congresso ficou marcado por várias polémicas que antedeceram o evento, por causa do curriculo e das avenças de Begonha na câmara de Lisboa. 

E foi este o tema central do discurso do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e antigo secretário-geral da JS, Pedro Nuno Santos que não quis ignorar o “elefante na sala”. Pedro Nuno Santos,  que tal como Duarte Cordeiro também é próximo de Maria Begonha, veio em defesa da líder da ‘jota’, frisando que “mentir no currículo é grave”. 

O governante levantou ainda a sala - sendo este um dos momentos altos do congresso - ao dizer várias vezes “acredito na Maria” classificando-a como “mulher corajosa, combativa e séria”.   

Pedro Nuno Santos aproveitou ainda para deixar recados aos opositores de Maria Begonha para dizer que a líder da ‘jota’ “não mentiu no currículo” defendendo que se “devia desprezar aqueles que se escondem atrás de casos para derrotar quem não conseguiram derrotar politicamente” e que “não é assim que se deve fazer política”.   

 Na sexta-feira à noite o governante o militante João Tiago Pinto entregou, no juízo central cível de Lisboa, uma providência cautelar para tentar travar o congresso.  Este documento deve ser analisado hoje e pode levar a anulação das decisões tomadas no congresso. Em causa está a falta de quórum da reunião da Comissão Nacional que marcou o congresso.