Cultura

‘Tem de se ficar desiludido com tanta ficção e falta de rigor’

Venerado por García Márquez e Salman Rushdie, Ryszard Kapuscinski foi considerado o maior repórter do século XX. Mas o seu amigo Artur Domoslawski descobriu nos seus livros uma série de inexatidões e exageros, que expôs na biografia Kapuscinski – Uma Vida.

DR

Perto do Natal de 2006 Artur Domoslawski recebeu um telefonema do seu amigo Ryszard Kapuscinski a dizer-lhe que estava prestes a dar entrada num hospital de Varsóvia. ‘Liga à Alicja para saber como estou’, recomendou-lhe. Cerca de um mês depois, a 23 de janeiro de 2007, o famoso repórter morria de ataque cardíaco.

Tinham-se conhecido em 1998, numa época em que Domoslawski dava os primeiros passos como repórter internacional e Kapuscinski estava a caminho de se tornar uma celebridade. Susan Sontag introduzira-o no meio intelectual nova-iorquino, onde o polaco nunca se sentiu à vontade; Garcia Márquez assistia às suas palestras sobre jornalismo na Colômbia, sentado ao lado dos alunos, para deixar claro que estava ali para aprender. Salman Rushdie chamou-lhe «decifrador de um século obscuro e críptico». Para muitos era simplesmente o maior repórter do século XX.

Nos seus últimos anos de vida, o nome de Kapuscinski aparecia insistentemente na lista dos favoritos para o Nobel da literatura. Peter Englund, então secretário perpétuo da Academia Sueca, escreveu: «Como membro do comité que o atribui, posso dizer que tinha muito boas hipóteses».

Acabou por nunca o receber, mas arrecadou outras distinções importantes, como o Prémio Príncipe das Astúrias, em 2003, por «durante meio século, arriscando a saúde e a vida, deu conta de guerras e de conflitos em diversos continentes».

De facto, no exercício da sua profissão de repórter, Kapuscinski não hesitou em assumir os riscos. Contraiu paludismo no Uganda, o que o deixou às portas da morte, e foi picado por um escorpião cinzento na Etiópia, entre outras situações de risco.

Costumava também contar que tinha sido condenado à morte e colocado perante o pelotão de fuzilamento por quatro vezes. Algo que Artur Domoslawski põe em causa: «Acho que Kapuscinski exagerou a situação, possivelmente porque gostava de tornar as suas histórias mais coloridas, exóticas e aventurosas do que eram na realidade». Em Kapuscinski – Uma Vida (ed. Assírio &_Alvim), o biógrafo revela ainda que, ao contrário do que se acreditava, o famoso repórter nunca foi amigo de Che Guevara, expõe as ligações de Kapuscinski  ao regime totalitarista polaco e questiona se o amigo terá colaborado com os serviços secretos.

O cineasta Woody Allen contou numa entrevista que um dia teve a oportunidade de jantar com o comediante Groucho Marx, que ele admirava imenso, mas ficou muito desiludido ao perceber que o seu ídolo era uma pessoa normal. Por isso, quando teve oportunidade de conhecer Louis Armstrong, que também idolatrava, preferiu recusar o convite e permanecer na ignorância.

[risos]

À medida que o foi conhecendo melhor, alguma vez se sentiu desiludido com Ryszard Kapuscinski?

Não lhe chamaria desilusão. Por vezes fiquei surpreendido, mas desiludido... quer dizer, talvez um bocadinho. Não é fácil reconstituir em detalhe como me senti. Quando comecei a trabalhar neste livro não tinha a intenção de escrever sobre o heroi, sempre quis conhecer o verdadeiro homem. Conheci-o pessoalmente bastante bem, portanto já tinha alguma noção das suas fraquezas. Apesar da sua fama, por exemplo, era uma pessoa muito tímida, especialmente quando tinha de falar para muita gente. Alguns dos seus amigos contaram-me que mesmo quando já era um repórter famoso e chegou a Nova Iorque na década de 80, ele ainda se sentia um rapaz da cidadezinha de Pinsk, onde nasceu. De certa forma, nessa fase da vida sentia-se assoberbado pela fama.

O Artur e o Kapuscinski consideravam-se amigos?

Diria que sim, embora houvesse entre nós uma grande diferença de idades. Kapuscinski era mais velho do que o meu pai. Quando digo amigos, sim, claro que éramos amigos, mas tem de se ter em mente a diferença de idades e de estatuto. Quando nos conhecemos, Kapuscinski era um repórter de renome internacional e eu estava ainda a começar a viajar.

Que idades tinham quando se encontraram pela primeira vez?

Foi em 1998, eu tinha 31 anos e Kapuscinski tinha 66. Eu tinha publicado uma história sobre as conversações de paz entre as FARC e o governo da Colômbia, e Kapuscinski, por alguma razão, gostou do artigo – era uma peça longa na edição de fim-de-semana do principal jornal da Polónia, a Gazeta Wyborcza. Ele aproximou-se, começou a falou comigo, dirigiu alguns elogios ao meu texto, fez perguntas acerca do meu interesse sobre a América Latina e convidou-me para ir a sua casa para continuarmos a conversa. Foi assim que começou. Depois os convites tornaram-se mais frequentes e tornámo-nos uma espécie de amigos.

O Artur pedia-lhe conselhos?

Encontrávamo-nos em casa dele, no escritório onde trabalhava – cheio de livros, com a velha máquina de escrever, porque ele não usava computador –, e falávamos sobre tudo: o que se estava a passar no mundo, o que se estava a passar na Polónia, e também muitos mexericos sobre amigos comuns. De tempos a tempos eu falava-lhe sobre o que estava a escrever e nesse tipo de conversas provavelmente perguntava-lhe como desenvolver uma história ou como compreender este ou aquele aspeto de um assunto. Mas não era uma espécie de workshops, era outro nível de relação. Embora eu fosse muito mais novo, acho que ele me considerava maduro o suficiente para não ser o meu professor de forma direta. Mais do que dar-me conselhos, partilhávamos pensamentos.

Falavam de igual para igual?

Ele quebrou a distância, o que foi maravilhoso da parte dele, que apesar da sua fama internacional e de ser uma espécie de celebridade encurtou a distância. Nunca me fez sentir mais novo ou não muito esperto, e penso que não era só comigo, era assim que ele tratava as pessoas de quem gostava.

Não queria ser tratado como o mestre?

[Hesita] Por vezes eu dirigia-me a ele com essa expressão e ele dava uma pequena gargalhada – havia uma espécie de ironia relativa a esse tratamento. Ele sentia-se certamente um mestre para toda uma geração mais nova de repórteres que viajavam especialmente para o Terceiro Mundo, mas diria que ele nunca acentuava isso e não fazia as pessoas sentirem que ele era o mestre e elas os seus discípulos.

Foi especial para si poder penetrar no círculo íntimo de Kapuscinski? A casa dele tinha algum tipo de magia?

Diria que sim, e não fui o único a sentir isso. Kapuscinski vivia com a mulher numa casa de dois pisos, uma casa partilhada por duas famílias que não tinham relação entre si. O apartamento principal era no quinto andar e o sítio onde ele trabalhava ficava no andar de cima. De facto tinha qualquer coisa de mágico. Quando comecei a escrever a biografia, já depois de ele ter falecido, regressei lá, e descobri que podia passar muito tempo a ler pequenos papelinhos colados às paredes, aos livros, à mesa ou presos a umas colunas forradas a madeira. Tinham citações de literatura, se ele gostava de uma passagem ou de uma frase destacava-a. Também havia muitas pequenas lembranças de diferentes sítios do mundo, como uma pequena camioneta de Cartagena das Índias, na Colômbia, e coisas desse tipo, fotografias, postais ou cartas de pessoas com quem ele tinha relação. Por exemplo, lembro-me de um postal de Wisława Szymborska, uma escritora polaca que recebeu o prémio Nobel da literatura. Consigo imaginar que fosse um belo sítio para passar horas a ler e a escrever. Numa parte, havia cadeiras de braços e uma mesinha onde ele recebia as pessoas. A mim recebia-me de forma muito informal.

À medida que foi investigando para esta biografia, foi para si doloroso fazer algumas destas descobertas que destroem a ideia que muitas pessoas têm de Kapuscinski?

Não diria doloroso. Por vezes tinha muitas dúvidas, ponderava muito bem antes de escrever sobre este ou aquele aspeto de modo a fazer as pessoas compreender as motivações e as decisões de Kapuscinski. Quando descrevemos as circunstâncias em que uma pessoa estava a esconder algo ou fez alguma confabulação, as pessoas tomam isso como uma acusação, mesmo que não façamos grandes juízos de valor. Não sou juiz nem procurador. Quando digo ‘ele optou por ter contacto com as pessoas do governo’, já esperava que alguns leitores o interpretassem assim, por isso tentei descrever tão bem quanto consegui as circunstâncias que o levaram a comportar-se de uma certa forma ou a tomar esta ou aquela decisão. Não diria que foi doloroso, mas foi difícil.

E decidiu deixar algum facto ou episódio de fora por ser comprometedor?

O biógrafo que tente esconder alguma coisa que seja importante para compreender a pessoa comete um pecado contra o género literário que é a biografia. Não estamos aqui para esconder informação. Mas quando não temos fontes suficientes ou não compreendemos o suficiente esta ou aquela questão podemos decidir deixá-la de fora ou admitir ao leitor – ‘tentei investigar mas não ficou claro para mim se ele fez aquilo ou por que o fez’. A tarefa de explicar totalmente outro homem ou mulher é uma missão impossível. Cada um de nós é uma criatura muito complicada. Às vezes nem nós próprios compreendemos as nossas motivações, por isso como podemos ter 100 % de certeza das motivações dos outros? Tentei usar uma linguagem que abre espaço para outras interpretações.

Há um momento em que se refere a Kapuscinski como ‘mestre da dissimulação’. Acha que ele não era sincero quando falava ou se relacionava com outras pessoas?

Hummmm... Talvez às vezes. Não sei se diria que ele não era sincero. Por vezes – sublinho: por vezes – são estratégias. Por exemplo, com o nosso chefe ou com as pessoas que têm algum poder sobre nós, nem sempre é muito sensato ser de uma sinceridade e abertura absolutas. Mas isso não faz de nós más pessoas. Todos usamos diferentes estratégias com diferentes pessoas. Somos pessoas diferentes para a mulher ou o marido, para o chefe, para os amigos, para os colegas, e isso não significa que não sejamos pessoas sinceras, são relações diferentes.

Fiquei surpreendido por encontrar poucos dos seus próprios sentimentos e impressões acerca dele. Isso foi propositado?

Achou isso? Eu achava que tinha mostrado bastante de mim, mas aceito a sua opinião. Deixe-me dizer-lhe algo geral sobre esta biografia. No início eu tinha de deixar bem claro que o conheci pessoalmente, que tivemos uma espécie de amizade, para que o leitor soubesse à partida que não sou apenas um jornalista que decidiu escrever sobre a vida de Kapuscinski. Ao longo do livro há uma espécie de metanarrativa sobre as minhas dúvidas, etc. – foi assim que exprimi os meus sentimentos. Ou seja, por um lado tinha de me colocar na narrativa; mas por outro não queria inundar a narrativa comigo e com as minhas opiniões, porque este livro é sobre ele. Esse foi sempre um assunto de negociação interna comigo próprio – quanto de mim devia colocar na narrativa, quantas opiniões.

A primeira vez que ouvi falar de Kapuscinski fiquei muito impressionado por saber que ele tinha sido condenado à morte por fuzilamento por quatro vezes. Esta é uma das questões que o seu livro levanta. Quão perto esteve ele realmente de ser morto enquanto fazia reportagens no Terceiro Mundo? O que concluiu?

Antes de mais é importante dizer que Kapuscinski viajou por lugares perigosos, onde havia conflitos, guerras, revoluções, golpes de estado. Mas quão perto e quão perigoso isso foi para a sua vida provavelmente nunca saberemos ao certo. Em diferentes entrevistas ele contou que foi condenado à morte por quatro vezes e posto em frente ao pelotão de fuzilamento, etc. Como não há outras testemunhas disso, podemos acreditar ou não. O que eu descobri é que numa dessas quatro situações, no Congo, em 1961, ele estava na companhia de dois repórteres checos. A conclusão que retirei das memórias de um deles é que a situação não foi tão perigosa como Kapuscinski a descreveu. Claro que as pessoas podem sentir a mesma situação de formas muito diferentes. Eu posso andar consigo a passear à noite na rua e aparece um cão a ladrar alto e enquanto eu apanho um susto enorme você continua completamente tranquilo. Cada pessoa leva a situação de uma forma diferente.

E ele foi ou não condenado à morte?

Kapuscinski disse e escreveu ‘fomos condenados à morte’ – referindo-se a ele e aos repórteres checos. Mas as memórias desse outro repórter checo não fazem qualquer referência a alguém ter sido condenado à morte, ou seja, ele tornou a situação muito mais dramática e perigosa e não havia uma palavra sobre isso. E quando uma pessoa é condenada à morte provavelmente fica com uma memória muito forte desse momento. Acho que Kapuscinski exagerou a situação, possivelmente porque gostava de tornar as suas histórias mais coloridas, exóticas e aventurosas do que eram na realidade. Ou pode ter que ver com ele ser um repórter muito jovem e inexperiente que estava pela primeira vez numa situação desse género, e sentiu-a como muito, muito perigosa, enquanto o repórter checo era um veterano e sentiu que a situação não teve nada de especial. O mais perto que Kapuscinski esteve de me esclarecer isso foi ao dizer-me que quando era novo e estava entre amigos às vezes exagerava intencionalmente os factos para dar mais colorido às situações e provocar algumas gargalhadas. Estava apenas a contar uma boa história, não tinha de ser completamente rigoroso. Mais tarde essas histórias começaram a aparecer em entrevistas e a ser publicadas, por isso começaram a ser levadas mais a sério. Ele tornou-se refém das suas próprias palavras. O repórter deve ser rigoroso. É difícil ao fim de alguns anos dizer ‘exagerei’ porque aí vão pôr em causa tudo o que ele escreveu.

E você pôs em causa?

É uma pergunta complexa e a resposta também não pode ser completamente direta. Tentei verificar os factos de algumas das suas histórias, especialmente acerca dos países em que sou competente, sobre os quais li muito e nos quais viajei muito. Mas não podia fazer isso para todos os seus livros, seria completamente impossível. Depois de publicar esta biografia, dois outros jovens repórteres descobriram outra confabulação no famoso A Guerra do Futebol. Comecei a considerar Kapuscinski mais como um escritor que usou a sua experiência como repórter como material para escrever uma espécie de ‘faction’, como dizem em inglês.

Não percebi bem. Ficção?

Não. ‘Faction’ – uma mistura de factos com ficção. Mais do que reportagens, considero os seus livros mais importantes, como O Imperador, sobre Haile Selassie na Etiópia, ou o Shah of Shahs, sobre Reza Pahlavi no Irão, tratados literários e filosóficos. O primeiro sobre o poder pessoal, o segundo sobre o mecanismo das revoluções. Mudei a minha abordagem a estes livros, porque quando se faz fact checking tem de se ficar desiludido com tanta ficção e falta de rigor. Ao mesmo tempo leio estes livros e continuo a achá-los grandes livros, estão maravilhosamente bem escritos. Kapuscinski usava a expressão ‘uma verdade mais alta’. Na reportagem isso não existe – se não se é rigoroso significa que não se fez a pesquisa como deve ser – mas penso que se referia a uma verdade mais elevada quando se trata de literatura. No meu caso, troquei os livros de prateleira, passei-os da reportagem ou não ficção para a ficção.

Mudou-os literalmente de prateleira ou refere-se à forma como os arruma na sua cabeça?

Na minha cabeça, claro. E penso que é impossível defender que os seus melhores livros são não ficção porque ele atravessava a fronteira tantas vezes que é melhor considerá-los ficção. Há muitos romances baseados em factos reais para os quais os autores fizeram muita pesquisa, mas não deixam de ser romances. Não posso considerar O Imperador ou o Shah of Shahs livros de não ficção. Continuo a considerá-los grandes livros, mas no que toca à arte da literatura.

Todos sabemos que viajar é caro. Kapuscinski tinha de fazer muitos sacrifícios para viver e viajar em países longínquos?

Ele vivia modestamente. O seu orçamento para as viagens era muitas vezes inferior aos orçamentos dos correspondentes internacionais do ocidente. Por vezes vivia em condições muito precárias, sobretudo em África, mas isso tinha uma enorme vantagem: estava muito mais perto das pessoas comuns, dos seus problemas, hábitos e cultura de vida.

No Terceiro Mundo ele testemunhou a miséria humana em todo o seu esplendor e pôde também ver como o homem explora o homem. Apesar disso manteve a fé no ser humano ou tornou-se cínico e desencantado com a natureza humana?

Cínico não. No fim da estrada pode ter-se sentido desiludido, mais realista, mas nunca se tornou cínico. Lembro-me de ele registar algures que o seu grande tema, que era a revolução e as grandes alterações sociais, tinha acabado, porque hoje os pobres não querem mudar o mundo nem fazer a revolução, querem apenas uma fatia do bolo. É uma conclusão triste, provavelmente realista, mas ele também defendeu que nós – seres humanos – devíamos fazer um esforço para mudar o mundo para melhor, não importa quantas vezes tenhamos falhado antes.

Lembra-se de receber a notícia da sua morte? Já estava à espera?

Ele morreu no hospital depois de uma cirurgia, e eu sabia que estava muito mal. Mas temos sempre esperança, por isso a notícia da morte dele foi um golpe emocional. Houve uma pessoa do hospital, provavelmente um médico ou uma enfermeira, que telefonou para o jornal onde eu na altura trabalhava com a notícia do seu falecimento. Um editor que sabia que éramos próximos ligou-me para confirmar, mas eu não sabia. Fiz um par de chamadas e recebi a confirmação de que, infelizmente, era verdade.

Quando foi a última vez que se encontraram?

Foi no início de dezembro de 2006, umas semanas antes da sua morte. Ele sentia-se fraco e falou comigo como se quisesse deixar-me alguns conselhos e dar algum apoio, foi como se soubesse que esta podia ser uma das nossas últimas conversas. Antes do Natal ligou-me a dizer que ia ser internado. ‘Liga à Alicja [a sua mulher] para saber como estou’. Foi uma despedida. Em meados de janeiro a senhora Alicja ligou-me a dizer que ele me queria ver, mas eu estava com uma doença viral, com febre e tosse, o que tornava impossível entrar num hospital.

Sabe se nos últimos anos ele se arrependia de alguma coisa que tinha ou não tinha feito? Por exemplo, passar pouco tempo com a família ou alguma coisa do género?

Não sei dizer. As relações dele com a família – para o dizer de uma forma diplomática – eram complicadas. Só tenho a certeza de uma coisa: ele sonhava escrever mais livros.