Opiniao

Televisão e redes sociais cada vez mais próximas

A nossa televisão está a viver um período particularmente animado e até conturbado. 

A luta pelas audiências despoletada em grande parte pela rivalidade das manhãs, e do programa da Cristina vs programa do Goucha, tem trazido a lume vários temas.

Em primeiro lugar, sentimos claramente que tudo vale nesta luta e o que é conteúdo relevante ou até pertinente é uma das discussões a que mais assistimos diariamente.

Mas a guerra das audiências vive-se e ganha-se também muito nas redes sociais. 

Hoje em dia torna-se já ‘antiquado’ conceber o consumo de televisão sem o acompanhamento minuto a minuto que é feito em digital. 

A proximidade e rapidez das redes sociais permite criar um storytelling à volta dos programas que começa no antes - mostrando os bastidores e tudo o que antigamente desconhecíamos - passa pelo próprio programa, criando dinâmicas que permitem intervir diretamente no que está no ar - até ao pós -programa, prolongando os melhores momentos. 

Desde as páginas dos próprios programas, passando pelas dos apresentadores, todos passam o tempo inteiro a falar do que se passa em televisão. Isto não só aumenta o interesse sobre os mesmos, levando sempre mais conteúdo a um público cada vez mais exigente, como também permite comunicar com um target diferente, que ainda que não esteja de manhã em frente à TV, não é indiferente ao que por lá se anda a fazer.

Esta proximidade e complementaridade entre meios justifica-se também pela constante procura do que é live e autêntico. O consumidor de conteúdos, ou vulgo espetador, quer os conteúdos no momento, quer saber tudo já e agora e tem esse ritmo diário graças às redes sociais. Mais do que seguir em direto em televisão, o consumidor quer saber o que está por trás de cada momento, o que sentiu o apresentador, o que vai ver amanhã, quer sugerir as perguntas a fazer na entrevista, quer ser parte integrante de tudo o que está a acontecer.

Alguns agem como meros voyeurs que seguem tudo como se não tivessem minimamente interessados, outros querem dar a sua opinião e dar uso à sua voz. É assim que hoje se constrói a televisão em Portugal e no mundo e é na constante alternância entre ecrãs que o consumidor se movimenta e procura o que lhe interessa. 

É nesta dicotomia e equilíbrio que também as marcas devem atuar, sem nunca esquecer que estamos a falar de linguagens diferentes e targets também variados e que a soma de tudo será sempre maior que as suas partes. 

Se não queremos perder pitada temos de reaprender a ver televisão, a usar as redes sociais nesse consumo e a tirar o máximo daquilo que queremos seguir. Obviamente tudo se vive bem em separado se assim entendermos, se a nossa idade ou personalidade não quiser cá complicações ou se for simplesmente esse o nosso mindset.

Inegável é a conexão entre tudo e a importância cada vez maior da comunicação entre meios. 

Até porque hoje o Marcelo está a ligar para o programa, amanhã está a comentar um post e depois de amanhã está numa missão qualquer internacional única. 

E nós vamos seguir tudo na televisão, nas redes sociais e em grande parte das vezes nas duas ao mesmo tempo.

*Diretora Criativa Havas Sports & Entertainment