Economia

Exportações e investimentos em baixa comprometem planos do Governo

INE mostra que exportações e investimentos em baixa tramam planos do Governo. 2019 deverá ser ainda pior.

O Executivo de Costa sempre avançou com as conquistas na economia portuguesa como bandeira. Os resultados levaram mesmo a que Centeno fosse distinguido como Ronaldo das Finanças. No entanto, os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o tempo em que o crescimento da economia nacional era bandeira chegou ao fim. O Governo tinha uma meta, mas o números do organismo, divulgados esta semana, mostram que não foi cumprida. Previa-se que, no decorrer de 2018, a economia portuguesa crescesse 2,3%. No entanto, no conjunto do ano, a expansão do PIB foi de apenas 2,1%.

Esta taxa, além de ser mais baixa do que em 2017, confirma as previsões mais pessimistas de muitas instituições, nomeadamente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que sempre disseram que a meta do Executivo de Costa não seria atingida. De acordo com os dados do INE, estes resultados são o reflexo do contributo mais negativo da procura externa líquida, principalmente por causa das exportações (cresceram 3,7%, a subida mais baixa desde 2012), e de um recuo no contributo da procura interna.

Importa referir que, se por um lado, os turistas continuam a gastar muito dinheiro no país, por outro, os portugueses também gastam cada vez mais no estrangeiro. Olhando para as despesas dos residentes em Portugal fora do território nacional, pode dizer-se que nunca tinha acontecido o cenário que marcou o ano passado: foram gastos mais de três mil milhões de euros. Já em relação ao que foi gasto em Portugal por estrangeiros, o valor ascendeu aos 13.392 milhões de euros.

 

Desemprego sobe

Além de termos assistido a um travão no crescimento da economia, pode ainda dizer-se que também o desemprego também já não suporta os argumentos de Costa. O INE nota que a taxa de desemprego caiu para 6,6% em dezembro de 2018, uma redução de 1,3 pontos percentuais face ao mesmo mês de 2017. Depois, terá aumentado em janeiro para 6,7%.

Assim, o instituto adiantou que «a taxa de desemprego situou-se em 6,6%, menos 0,1 pontos percentuais (p.p.) que o valor do mês anterior, igual ao valor de três meses antes e menos 1,3 p.p. que no mesmo mês de 2017».

O INE disse ainda que «a estimativa provisória da taxa de desemprego de janeiro de 2019 é 6,7%, tendo aumentado 0,1 p.p. em relação ao mês anterior».

 

E a dívida?

Com a dívida pública a pesar nos últimos anos, esperava-se resultados sobre a evolução durante o ano passado. De acordo com os dados do Banco de Portugal, divulgados esta sexta-feira, baixou para 121,5% do PIB no final de 2018. No entanto, também ficou acima daquela que era a meta apresentada pelo Governo.

Ainda que tenha ficado abaixo dos 124,8% registados um ano antes, a verdade é que fica ligeiramente acima da meta do Governo para 2018, de 121,2%. O que permite dizer que baixou é compará-la com o trimestre anterior: fixou-se nos 125% do PIB.

Recorde-se que, há um mês, o Banco de Portugal deixou preto no branco que, apesar da descida em dezembro por causa do pagamento ao FMI, a dívida pública aumentou em 2018, face a 2017, para 244,9 mil milhões de euros.

O boletim divulgado ontem nota ainda que, em janeiro, já aumentou 3 mil milhões de euros em relação a 2018. A justificar este aumento exponencial está, de acordo com o BdP, «o acréscimo dos títulos de dívida».

Recorde-se que, para este ano, o Governo promete uma redução do rácio da dívida no PIB para 118,5%.

Já o relatório da OCDE, com as recomendações para Portugal, a dívida era um ponto que merecia especial destaque. De acordo com a OCDE, Portugal deve manter a consolidação orçamental gradual para reduzir a dívida pública e continuar a promover as exportações. O documento reconhece que as condições económicas em Portugal «melhoraram significativamente», mas admite que «o elevado peso da dívida continua a limitar a capacidade do Estado para fazer face a futuros choques económicos». A organização aconselhou mesmo a «melhorar a sustentabilidade orçamental e a estabilidade financeira», bem como «manter a consolidação orçamental gradual, a fim de garantir a redução da dívida pública».

No entanto, nem tudo é negativo. De acordo com a DGO, o ano arrancou com um excedente de 1542 milhões de euros, o que representa uma melhoria de 751 milhões de euros face a 2018. Na base deste resultado está o crescimento da receita (10,4%) e uma redução da despesa (-1,9%), revelou o ministério de Mário Centeno.