Sociedade

ERC dá razão a PCP e diz que reportagem sobre genro de Jerónimo é "sensacionalista"

Regulador remete conclusões para a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, pois diz não ter competência para aplicar sanções aos jornalistas que não respeitam código de profissão

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) chamou "sensacionalista" à reportagem da TVI, que dava conta de que o genro de Jerónimo de Sousa tinha sido favorecido nos contratos de prestação de serviços que tinha com a Câmara de Loures.

O Conselho da ERC, em resposta a uma queixa apresentada pelo Partido Comunista em janeiro, concluiu que o canal violou os deveres de "rigor e independência" e que a peça da estação televisiva não cumpre a regra de difundir "uma informação que respeite o pluralismo, o rigor e a isenção", cita o jornal Público, que teve acesso à deliberação.

"É notório o enviesamento e a falta de isenção da TVI" na "formulação das perguntas aos dirigentes do PCP", dando como exemplo a expressão ‘jobs for the boys’ que o jornalista utilizou na formulação de uma pergunta dirigida a Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures, eleito pela CDU. Outra das críticas apontadas pela ERC é ao contraditório: as respostas são "entrecortadas pelas acusações do repórter e transmitidas parcialmente", com efeitos e filtros que parecem ter sido escolhidos para confirmar a existência de irregularidades entre a autarquia comunista e o genro do líder do partido.

"Entende-se que a TVI não cumpriu cabalmente com os deveres de precisão, clareza, completude, neutralidade e distanciamento no tratamento desta matéria, o que originou a construção de uma reportagem marcadamente sensacionalista, sendo fatores que fragilizam o rigor informativo por contribuírem para uma apreensão desajustada dos acontecimentos por parte dos telespetadores", concluiu ainda a ERC.

As conclusões do regulador foram remetidas para a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, que terá de se pronunciar sobre o cumprimento dos deveres dos jornalistas responsáveis pela notícia, decidindo se há lugar ou não a sanções, já que, como foi sublinhado na resposta ao PCP, a ERC diz não ter competências de atuação disciplinar sobre os jornalistas.