Sociedade

Urgências de Beja denunciam falta de enfermeiros para o número existente de doentes críticos

Número é quatro vezes superior ao recomendado

A urgência do hospital de Beja está a funcionar nos últimos dias com apenas um enfermeiro para cada 20 doentes críticos. Número é quatro vezes superior ao recomendado.

A denúncia foi feita, esta segunda-feira, pela Ordem dos Enfermeiros. Durante o fim de semana, a bastonária Ana Rita Cavaco esteve no hospital de Beja e constatou que os enfermeiros se encontram "numa situação de exaustão."

Em causa está a falta de profissionais, que leva a que os profissionais desse hospital cheguem a trabalhar 16 horas seguidas e a cumprir 70 horas semanais. Os horários deveriam ser de 35 horas semanais.

Segundo a bastonária, na urgência de Beja havia um enfermeiro para 20 doentes críticos em serviço de observação. O rácio correto é de um enfermeiro para quatro doentes."

A Ordem dos Enfermeiros detetou ainda casos de profissionais com 59 folgas por gozar, apenas referentes a este verão, tal como enfermeiros a fazer 16 horas consecutivas. Os profissionais entram às 8h e saem à meia-noite.

Ana Rita Cavaco expôs a situação de exaustão destes profissionais: É uma equipa extremamente cansada e com muitos atestados [baixas] por exaustão. Os enfermeiros estão numa situação de sobrecarga horária e Beja é o exemplo mais recente. Não trabalham só 35 horas por semana, trabalham 70 horas e por vezes mais."

O Governo anunciou esta segunda-feira que autorizou a contratação de mais de 550 enfermeiros para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O objetivo passa por cobrir as necessidades que surgiram da passagem das 40 para as 35 horas de trabalho semanais dos profissionais de enfermagem, que aconteceu há um ano.

No entanto, a Ordem considera este número claramente insuficiente para colmatar tais necessidades. Segunda esta, esse número não chega sequer para cobrir 700 enfermeiros que ficaram por contratar há um ano.